Estudo analisa os níveis de vitamina D nos adolescentes portugueses

Até ao momento, foram publicados dois artigos, cujos resultados apontam para baixos níveis de vitamina D nos adolescentes portugueses (Imagem: Pixabay/cattalin).

Um estudo da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP) avaliou os níveis de vitamina D dos adolescentes portugueses. Até ao momento, foram publicados dois artigos, cujos resultados apontam para baixos níveis de vitamina D, nesta população, tendo-se concluído que os jovens com maiores níveis deste micronutriente no sangue têm menores valores de colesterol. Verificou-se ainda que o aumento da ingestão de alimentos ricos em vitamina D pode ser uma boa estratégia para aumentar os níveis desta vitamina.

Um número crescente de estudos tem sugerido uma relação entre a falta de vitamina D no organismo e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes, cancro e várias patologias autoimunes, o que tem suscitado o interesse pelo estudo deste micronutriente.

Existem duas fontes principais de vitamina D: a que advém da exposição à luz solar e a que provém da vitamina D ingerida (obtida a partir da dieta)”, explica Maria Cabral, primeira autora do estudo. A produção interna deste micronutriente é complexa, pois depende de fatores como a idade, a pigmentação da pele, a exposição ao sol, a estação do ano e a latitude. Além do mais, em regiões com latitudes superiores a 40º Norte, a síntese cutânea de vitamina D pode não ser suficiente, sobretudo durante o período do inverno, em que existe menos luz solar. Neste contexto, a contribuição dos alimentos ricos neste micronutriente poderá ser importante para ajudar a manter níveis de vitamina D saudáveis.

A este propósito, o estudo designado Relationship between dietary vitamin D and serum 25-hydroxyvitamin D levels in Portuguese adolescentes, publicado na revista “Public Health Nutrition”, encontrou uma relação fraca, mas positiva, entre a vitamina D ingerida e a sérica (obtida a partir da dieta e da síntese cutânea), indicando que quanto mais uma aumenta, a outra também. “Apesar de a correlação ser ténue, este resultado revela que há uma relação entre o que é ingerido e os níveis de vitamina D no sangue, suportando que o aumento das fontes alimentares de vitamina D pode ser benéfico para elevar também os níveis da vitamina D sérica”, refere a investigadora. Assim, aumentar a ingestão de alimentos ricos nesta vitamina como o pescado, poderá ajudar a combater os baixos níveis de vitamina D sérica dos jovens portugueses.

Além disso, quando se constata que os níveis séricos de vitamina D são baixos, principalmente no período do inverno, “a ingestão de vitamina D por via da alimentação, poderá ser uma forma importante de aumentar os níveis gerais deste micronutriente”, sublinha.

Alertar para a importância do consumo de alimentos ricos em vitamina D, como o pescado, é relevante, pois a sua ingestão é baixa entre os adolescentes.

Já no artigo intitulado Vitamin D levels and cardiometabolic risk factors in Portuguese adolescents, e publicado no “International Journal of Cardiology”, os investigadores concluíram que os jovens que tinham mais vitamina D no organismo apresentavam menores níveis de colesterol. Este mesmo estudo não permitiu, contudo, estabelecer uma associação entre baixos níveis de vitamina D e a síndrome metabólica – um conjunto de fatores clínicos e metabólicos, que, associados entre si, conferem um risco acrescido de desenvolver doença cardiovascular, o que poderá explicar-se pela baixa variação dos níveis de vitamina D nesta população.

“Com estes dois estudos, fazemos um retrato do estado da vitamina D em adolescentes portugueses. Na adolescência, a vitamina D desempenha um papel central no metabolismo do cálcio e no crescimento ósseo, funções que são essenciais para os adolescentes. Esta fase é também particularmente importante, porque é um período sensível para o espoletar de um perfil de risco cardiovascular, cujas manifestações se detetam mais tarde na vida”, remata Maria Cabral.

As investigações mencionadas avaliaram adolescentes pertencentes à coorte EPITeen, um estudo longitudinal que arrancou em 2003 com o objetivo de compreender como os hábitos e os comportamentos adquiridos na adolescência se refletem na saúde do adulto. Os jovens foram avaliados aos 13 anos de idade, nas escolas públicas e privadas da cidade do Porto, tendo sido analisadas a vitamina D ingerida (obtida a partir da alimentação), através de um questionário de frequência alimentar, e a vitamina D sérica, quantificando os níveis de 25-hidroxivitamina D nas amostras de sangue.

Estes artigos são também assinados pelos investigadores Joana Araújo, Carla Lopes, Henrique Barros, João Tiago Guimarães, Milton Severo, Sandra Martins e Elisabete Ramos.