Atualmente  a frequentar o Programa Doutoral em Segurança e Saúde Ocupacionais da U.Porto, Gairo Garreto é professor e investigador efetivo do Instituto Federal do Maranhão. (Foto: DR)

“Garrett: Traficante de Escravos”, a história esquecida da família Garrett na Amazónia, é um ensaio biográfico sobre António Garrett, tio do visconde Almeida Garrett, com base na pesquisa feita a partir de arquivos e bibliotecas de três países. Da autoria de Gairo Garreto, estudante do Programa Doutoral em Segurança e Saúde Ocupacionais da Universidade do Porto, o livro foi apresentado esta quinta-feira, no Auditório da Casa Comum da Reitoria da U.Porto.

O ponto de partida da obra foram as memórias do avô do autor. Mas o que era para ser um registo da história da família acaba por revelar-se um testemunho detalhado de uma parte pouco conhecida da história luso-brasileira.

Do livro fazem também parte dois capítulos da tese de doutoramento de Gairo Garreto, cujo projeto está relacionado com a temática do trabalho escravo nos séculos XIX e XXI. O principal objetivo da pesquisa consiste em estudar a escravatura moderna, fenómeno que ocorre em todo o planeta, sob a ótica da Segurança Ocupacional.

Apesar de se tratar de uma temática muito estudada nas perspetivas histórica e sociológica, a escravatura é muito pouco analisada na ótica da engenharia. No entanto, esta abordagem pode contribuir para uma caracterização quantificada e desapaixonada deste tipo extremo de exploração. Para J. Santos Baptista, orientador da tese de Gairo Garreto, este foi um dos motivos de interesse: “A escravatura não é um problema que terminou no século XIX. No Século XXI o problema persiste de forma mais ou menos camuflada em muitos países, nos quais Portugal e vários países da Europa se incluem”.

A escravatura não é um problema que terminou no século XIX

A verdade é que todos nos lembramos de notícias de trabalhadores portugueses em condições idênticas à escravatura em países terceiros ou de trabalhadores estrangeiros escravizados em Portugal. Muitas vezes essas situações escapam às autoridades camufladas sob a capa do incumprimento da legislação laboral. No entanto, por vezes, a realidade é bastante mais cruel. O trabalho de investigação de Gairo Garreto é precisamente uma tentativa para ajudar a destrinçar estas situações, uma vez que a Segurança e Higiene Ocupacionais são uma das formas de detetar a escravidão “moderna”.

“O meu trabalho realça a importância da caracterização objetiva das condições análogas à escravidão, como forma de melhorar a eficácia das “fiscalizações trabalhistas e de punição criminal de seus exploradores”, afirma o estudante de doutoramento da FEUP.

Sobre o autor

Especializado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Estadual do Maranhão (Brasil) e graduado em Engenharia Mecânica pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão, Gairo Garreto é professor/investigador efetivo do Instituto Federal do Maranhão na área de Segurança e Saúde Ocupacionais, tendo sido Diretor Geral do campus Alcântara entre 2011 e 2015. É também engenheiro de Segurança do Trabalho efetivo da Prefeitura de São Luís (Maranhão) e atua como perito em Engenharia de Segurança do Trabalho da Justiça do Trabalho.