Claudio Sunkel eleito chair do Laboratório Europeu de Biologia Molecular

Claudio Sunkel lidera o IBMC desde 2009.

Claudio Sunkel, diretor do IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular) e professor catedrático do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), acaba de ser anunciado como Presidente do Conselho Geral do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), porta estandarte europeu para as Ciências da Vida sediado na Alemanha e com laboratórios em Inglaterra, França e Itália.

A eleição do investigador da Universidade do Porto para o cargo foi decidida pelos representantes dos 21 estados membros que integram este Laboratório na reunião de inverno do conselho do EBML, que decorreu em Hamburgo entre os dias 27 e 28 de Novembro, mas a decisão só foi tornada oficial esta segunda-feira, por aquele organismo.

Claudio Sunkel vai substituir Eero Vuorio, diretor do BioCenter de Helsínquia na Finlândia, que deixa o cargo no conselho do laboratório europeu. O Conselho Geral é composto por representantes dos 21 países membros do EMBL e tem por função definir a política científica, técnica e administrativa a aplicar. Iain Mattaj, Diretor Geral do EMBL, deu “as boas-vindas à nomeação de Claudio Sunkel a presidente do Conselho” e aproveitou para “agradecer a Eero Vuorio, em particular pelo esforço na negociação do atual programa científico do laboratório”.

Quem é Claudio Sunkel?

Claudio Sunkel é um investigador de origem chilena radicado no Porto há mais de 20 anos. Chegou a Portugal com o objectivo de estabelecer um grupo de investigação em Biologia da Mitose tendo sido bem sucedido, ao ponto de hoje dirigir o IBMC, um dos maiores institutos nacionais na área das Ciências da Vida e da Saúde. É também Professor Catedrático do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e pertence a inúmeros comités internacionais, em locais tão díspares como a Índia ou a França.

Antecedendo o trabalho que desenvolve atualmente como consultor e conselheiro para a definição de políticas científicas, bem como de coordenação e orientação que agora assume em diferentes instituições, Cláudio Sunkel destacou-se por uma carreira científica de sucesso, desenvolvida sobretudo em Portugal. No entanto, fez escala noutros países, nomeadamente em Inglaterra, durante o doutoramento. De facto, foi nessa altura, em Londres, que caracterizou aquilo que poderá ser indicado com um dos achados mais importantes da sua carreira: a proteína POLO. Claudio Sunkel foi o primeiro a identificar e perceber a função desta proteína que se revela fulcral no processo de divisão das células, ou seja, uma proteína que tem implicações em processos tão básicos como a formação e estruturação dos organismos, ou que participa em processos desregulados como a divisão de células nos tumores.

Atualmente, conhecem-se inúmera proteínas da família do POLO, as Polo-like-kinases (PLK) que são estudadas em todo o mundo, em particular como o alvo para o desenvolvimento de novas terapias anti-tumorais, muitos já em fase de ensaios clínicos. Um legado científico, que certamente será consolidado com um legado de definição e gestão políticas científicas que se tem vindo a desenhar nos anos mais recentes.