U.Porto debate a propriedade intelectual em Serralves

Debate reuniu empresários e empreendedores na Fundação de Serralves.

“Quanto custa uma marca?”. A questão foi colocada por Carlos Brito, pró-reitor para o empreendedorismo e inovação da Universidade do Porto e marcou uma sessão de esclarecimento sobre propriedade intelectual e desafios associados que o  Clube ADDICT, em  parceria com a UPIN (Universidade do Porto Inovação), promoveu no passado dia 22 de novembro, na Biblioteca da Fundação de Serralves.

Esta sessão contou com a presença de representantes de quatro indústrias criativas que expuseram os seus pontos de vista em relação à propriedade intelectual, patentes e direitos de autor. A importância da força de uma marca foi salientada por todos os convidados como referiu Inês Castanheira, da CulturePrint, com o exemplo de uma marca registada pela sua empresa com base numa ideia já existente: “O Bairro dos Livros”. Como referiu a jovem empresária, ter uma marca é muito importante mas, para que este “processo pudesse evoluir, há que pedir sempre autorização ao autor da ideia. No nosso caso tivemos sorte porque os livreiros acabaram por ceder”.

Moderado pela pró-reitora para o planeamento estratégico, relações e participações empresariais da U.Porto, Patrícia Teixeira Lopes, o debate começou então a encaminhar-se para uma questão fulcral: compensa às empresas patentear as suas ideias e registá-las como marcas? Na opinião de Miguel Costa, da PontoPR, por vezes esse é um esforço inglório: “Tentámos, muitas vezes, patentear e registar ideias mas esbarrávamos sempre num processo de análise extremamente caro e lento” motivo pelo qual a empresa acabou sempre, ao longo dos seus dez anos de vida, por optar pelo simples “segredo como a alma do negócio”, referiu o empresário.

Gabinetes como a UPIN podem ajudar neste processo

Esclarecendo a audiência sobre estes processos morosos, André Fernandes, da UPIN, falou de alguns casos concretos nos quais o gabinete de transferência de tecnologia da U.Porto enfrentou dificuldades no que toca à patenteabilidade. E à semelhança do que Carlos Brito referiu na abertura do debate, defendeu que “o empreendedorismo tem de estar sempre ligado à inovação”.

A ideia foi reforçada por Júlio Martins da Ideia.M, que disse mesmo: “O mais importante é o design, a tecnologia patenteada e a inovação porque é isso que vai valorizar a marca e criar empatia”. Na Ideia.M “todas as marcas lutam por ter características específicas e abordagens diferentes, levando o investimento nos pormenores a um outro nível para alcançar sucesso”, acrescentou.

No final das intervenções, a audiência mostrou-se ativa e interessada no tema abordado, colocando questões e expondo outros casos. De todas as conclusões retiradas neste Clube ADDICT, unânime foi a resposta à pergunta do professor Carlos Brito: “Uma marca custa muito trabalho”.