Casa Comum da U.Porto quer ser “revolução” na cultura da cidade

“Há revoluções que se fazem em silêncio. A nossa vai fazer-se com música, movimento, imagens luminosas e ideias emancipadas”. O “manifesto” é assinado por Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura da Universidade do Porto, e marcou a abertura, no passado dia 3 de abril, dos novos espaços da “Casa Comum” no edifício da Reitoria da U.Porto.

O pretexto era a inauguração da exposição de homenagem a Paulo Cunha e SilvaFigura Eminente da U.Porto 2019, mas foi muito mais do que isso o que dezenas de visitantes puderam testemunhar na visita inaugural aos novos espaços culturais da Universidade, situados no primeiro piso do edifício. A começar pelo auditório (para cinema, concertos e performances) que serve como hall de entrada. E prosseguindo pelo “T4” totalmente remodelado, onde se incluem ainda duas salas de exposições e uma sala de videoarte, especialmente preparada para vídeo-instalações.

Para Fátima Vieira, estão assim criadas as condições para “uma revolução com barulho” em plena Baixa do Porto, sustentada numa programação regular que se propõe a “abrir portas a novos talentos e apostar na cultura experimental”. Para isso, a “Casa Comum” pretende dar especial “visibilidade aos trabalhos dos estudantes e docentes” da U.Porto, estando também aberta a “outros talentos e figuras consagradas”.

Uma Casa que é de todos

Fátima Vieira, vice-reitora da U.Porto para a Cultura, quer que os espaços da Casa Comum sejam ” apropriados pela comunidade académica e pela cidade”. (Foto: Egidio Santos/U.Porto)

Mas se a “Casa Comum” ambiciona marcar a diferença na oferta cultural do Porto, ela marca também a afirmação da “casa-mãe” da Universidade enquanto espaço de referência. “O que estamos é a promover esta ideia de que a Reitoria é a casa comum das 14 faculdades e também a casa comum de toda a cidade”, salienta a vice-reitora.

Também por isso, os espaços da “Casa Comum” foram pensados “para serem apropriados pela comunidade académica e pela cidade”. Até porque, desafia Fátima Vieira, “a revolução só se fará com a participação de todos”. E nela, (quase) tudo é permitido. “Concertos, performances, festivais de cinema, aulas abertas à cidade, seminários, workshops… e o que mais nos quiserem propor”.

Para já, o cartaz promete. Entre performances, exposições, mesas redondas,  conversas com artistas e sessões de cinema, a programação  da “Casa Comum”está “quase fechada até ao final do ano de 2019”. E para facilitar a escolha, até foram definidos dias temáticos. Às quartas-feiras, por exemplo, “haverá conversas sobre ciência e temas fraturantes da sociedade” (de tarde) e concertos ou performances (à noite). Já as quintas-feiras são reservadas para eventos dinamizados por estudantes. E para terminar a semana em grande, o programa de sexta-feira abre com “ciclos de aulas abertas à cidade” (tarde) e encerra com sessões de cinema pela noite adentro.

Para promover a programação da “Casa Comum, a U.Porto disponibilizou uma app – a “Acontece na U.Porto” – que permite acompanhar, em tempo real, todas as atividades culturais, desportivas e científicas a realizar na Reitoria, mas também nas diferentes faculdades, centros de investigação e núcleos museológicos da Universidade.

“Vai ser um bom instrumento para as pessoas perceberem tudo aquilo que se passa na Universidade. Esta aplicação vai servir para a criação de um Campus conceptual”, conclui Fátima Vieira.