Acervo do arquiteto José Porto doado à Fundação Marques da Silva

José Porto (1883-1965) foi um dos principais representantes do modernismo na arquitetura portuguesa.

A Fundação Marques da Silva prepara-se para acolher o acervo de mais um arquiteto determinante para a história da arquitetura portuguesa contemporânea. Depois de Fernando Távora ou Alcino Soutinho, será o acervo de José Porto (1883-1965) que ficará à guarda da fundação instituída pela Universidade do Porto, por doação do seu atual depositário, o também arquiteto Abílio Mourão.

A assinatura do contrato de doação será formalizada às 18 horas do dia 9 de outubro, na Casa-Atelier José Marques da Silva, numa cerimónia que conta com as intervenções da Presidente do Conselho de Administração da Fundação Marques da Silva, Fátima Marinho, e do doador, Abílio Mourão, mas também de Paulo Torres Bento, o comissário da exposição comemorativa de José Porto, realizada em 2003 em Vilar de Mouros, e do arquiteto Sergio Fernandez.

O momento será ainda assinalado na Casa das Artes, pelas 21h30, com a projeção do filme de Manoel de Oliveira “Visita ou Memórias e Confissões”, sobre a sua casa da Rua da Vilarinha, um projeto da autoria de José Porto. O filme será apresentado e enquadrado pelos arquitetos André Eduardo Tavares e Luís Urbano.

De acordo com a Fundação Marques da Silva, a arquitetura de José Porto apresenta-se com um traço distintivo, plástica e expressiva, funcional e moderna, fortemente marcada pela influência das Artes Decorativas, assimiladas durante os anos de formação e primeiras experiências profissionais em Genève e em Paris. Foi pintor, ilustrador, decorador e designer, até se afirmar definitivamente como arquiteto, de regresso a Portugal, em 1934, com o projeto para o Estádio Distrital do Porto, concurso de onde sai vencedor e que marca o início de uma profícua e duradoura ligação à firma “Engenheiros Reunidos”.

A casa de Manoel de Oliveira, projetada por José Porto, foi classificada como Monumento de Interesse Público em 2015.

O percurso, singular, atribui-lhe uma particular importância no meio portuense e da projetação arquitetónica no Norte de Portugal, onde veio a alcançar a confiança de um fiel e possidente conjunto de clientes. Concentra-se na arquitetura doméstica, sem excluir os grandes equipamentos, ou mesmo a planificação urbana. Projetou essencialmente no Porto e Minho, mas também para Moçambique (Beira e Lourenço Marques) e Angola (Lobito), sem nunca perder o contacto com a sua terra natal, Marinhas (Vilar de Mouros), ou trair as suas raízes estéticas. É o autor, entre outras obras de reconhecido valor patrimonial, da já referida moradia da rua da Vilarinha, projetada para Manoel de Oliveira, classificada como Monumento de Interesse Público em 2015.

Em 2003, a exposição José Porto (1883-1965) – Desvendando o arquitecto de Vilar de Mouros, comissariada por Paulo Torres Bento, dá a conhecer a primeira recolha documentada sobre o percurso deste arquiteto cujo acervo profissional foi confiado pela viúva, Berthe Augustine Métairie ao Arquiteto Abílio Mourão.

A documentação que será doada à Fundação Marques da Silva é constituída mais de 200 peças desenhadas, às quais se encontra associado um conjunto de 40 desenhos de Serralharia oferecidos pelo último sobrevivente da Oficina Fontes ao CIRV-GEPPAV e que esta instituição entregou gentilmente à Fundação Marques da Silva para constarem do acervo de José Porto.