São cerca de 100 eventos, distribuídos por diferentes palcos e plataformas de partilha de experiência e conhecimento. É com um intenso programa cultural, a que deu o nome de Casa Comum Fest – que a Universidade do Porto assinala o primeiro abril em que todos gozamos mais tempo de democracia do que de ditadura.

A democracia, precisamente, a inclusão, a tolerância e a luta pela igualdade são algumas das causas pelas quais nos debatemos, sendo que a palavra “causa” vai para além disto. A cultura tem consequências. Causa curiosidade, causa conhecimento, causa ciência e causa ação. Causa surpresa. Causa partilha. Causa emoção. Da música à poesia, do teatro ao cinema, da ciência às artes visuais, durante um mês, vamos, juntos, descobrir o que pode, afinal, causar a Cultura.

O que vem depois da esperança é uma excelente forma de acabar, ou de começar um programa. Para a U.Porto, será sempre uma forma de vincar uma causa da qual não abdica: a inclusão. Trata-se de uma palestra-performance do Teatro Universitário do Porto (TUP).

As histórias que inspiraram esta criação pertencem ao Arquivo Gis, organizado por Hilda de Paulo, que reuniu artigos jornalísticos, entrevistas de televisão, documentos históricos, livros biográficos e autobiográficos que prestam homenagem a todos aqueles que se sentiram estigmatizados. O nome, como se percebe, vem de Gisberta Salce Júnior, a mulher transexual emigrante brasileira que foi assassinada na cidade do Porto em 2006.

O espetáculo do TUP vai levar o público a refletir sobre a forma como o corpo das pessoas “fora da norma” foi sendo construído e representado no imaginário do país. Acontece nas instalações da Mala Voadora a 31 de março e 1 de abril, às 21h00.

O Casa Comum Fest segue com teatro, desta vez para questionar o papel que todos desempenhamos como espetador. Passa por aí a proposta de Insulto ao Público, a peça de teatro que acontece dias 3 e 23 de abril, na Casa Comum (Reitoria), pelas mãos de estudantes da Licenciatura em Artes Dramáticas – Formação de Atores da Universidade Lusófona do Porto.

Escrita em 1966 por Peter Handke (Prémio Nobel da Literatura em 2019), esta é uma reflexão sobre o teatro, mas também sobre a convenção e sobre o artifício. Nela, Handke propõe um jogo que coloca em permanente tensão os limites do real e a sua representação.

O “Insulto ao Público” sobe ao palco da Casa Comum na noite de 23 de abril. (Foto: DR)

E continuamos na senda da partilha. A Casa Comum juntou-se à Poetria para a celebração dos 50 anos de escrita e de vida literária de Nuno Júdice. A compilação de poemas numa nova antologia, agora lançada, são os ingredientes para esta conversa que está agendada para o próximo dia 2 de abril, às 16h00, na Casa Comum. No dia 12, voltaremos a falar de poesia com André Tecedeiro, mas lá iremos…

Ainda na palavra dita, este ano, assinala-se o centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís, a quem a U.Porto atribuiu o título de Doutor Honoris Causa. Pode apontar desde já na agenda: dia 7 de abril, às 18h00, na Casa Comum, temos Histórias em Contraluz, com a leitura, por parte dos estudantes da licenciatura em Artes Dramáticas – Formação de Atores da Universidade Lusófona, de alguns contos da escritora.

Há energias más e energias boas? A pergunta dará o mote ao primeiro Sarau Científico que acontece no dia 5 de abril, às 21h30, no Laboratório Ferreira da Silva. A braços com uma crise climática, será realista acreditarmos que conseguiremos tornar-nos independentes de fontes poluentes de energia, abraçando unicamente as energias renováveis?

Luís Belchior (FCUP), Joana Espain Oliveira (FEUP), Adélio Mendes (FEUP) vão ter pela frente uma noite de intensa conversa em torno de um dos mais prementes temas da ciência e tecnologia da atualidade com uma forte expressão social. Venha daí!

E ao cinema, não vamos? Claro que sim! Nos dias 8 (21h30), 9 (17h00 e 21h30) e 10 de abril (17h00 e 21h30) há sessões garantidas na Casa Comum. O que vamos ver? O ciclo chama-se Corpo Transformado e inclui 40 filmes, na sua maioria exploratórios e de cariz documental, que dão a ver transformações do próprio corpo – humano ou de outros animais – e corpos transformados pelo cinema, vídeo e por imagens científicas utilizadas no domínio artístico.

Pela brutalidade gráfica, alguns dos trabalhos apresentados são, efetivamente, para maiores de 18 anos e impróprios para olhares mais sensíveis.

Fazer barulho à procura do Museu…

O Dia Internacional da Mulher, que se assinalou em março, fez-se com muito barulho na Casa Comum e com uma exposição que homenageou 16 mulheres com percursos de destaque na história do rock português. Em abril, vamos continuar a fazer barulho!

Começamos já no dia 2 de abril. À conversa com a investigadora Paula Guerra estará Ondina Pires, artista, performer, escritora, tradutora e uma pioneiras do punk rock português. De um longo e diversificado percurso vamos salientar, apenas, o envolvimento de Ondina em projetos como Ezra Pound e a Loucura, Pop dell’Arte e The Great Lesbian Show.

Ondina Pires é uma das Mulheres que Fazem Barulho! (Foto: DR)

O Museu à Minha Procura é o título da exposição que vai inaugurar no próximo dia 6 de abril, no polo central do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP).

Com mais de 100 peças, é uma exposição organizada com base nas diversas coleções do MHNC-UP, mas não só. Estão também aqui peças da Casa-Museu Abel Salazar, das faculdades de Desporto (FADEUP), Belas Artes (FBAUP), Direito (FDUP), Engenharia (FEUP), Farmácia (FFUP), Medicina Dentária (FMDUP), Medicina (FMUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

Esta exposição acontece quase cinco anos após a inauguração da Galeria da Biodiversidade (polo do Campo Alegre do Museu), na antiga Casa Andresen, local onde nasceu o escritor Ruben A., autor da autobiografia O mundo à minha procura.

As diversas coleções do MHNC-UP vão voltar a abrir-se ao público na exposição “O Museu à Minha Procura”.

Terminamos pelo princípio. A “abrilada” arranca já esta sexta-feira, 1 de abril, com uma exposição que é também um espaço de experimentação e comunhão de saberes entre a ciência e as artes: a Emergence Hackaton que não deixa de ser um símbolo desta comunhão de saberes. Ou, se quisermos, uma espécie de Jam Session que recorre a instrumentos científicos e artísticos.

O [email protected] hackathon correspondeu a uma maratona intensiva de trabalho que juntou cientistas, comunicadores e criativos no desenvolvimento de projetos de comunicação de ciência tirando partido das tecnologias digitais.

A exposição representa precisamente o culminar das três edições (2019, 2021, e 2022) do evento, num momento de partilha de resultados que se pretende que seja memorável. Os resultados são para conferir na inauguração marcada para as 18h00, na Casa Comum.

A entrada em todos os eventos é gratuita. A programação é para ir conferindo no website da Casa Comum.