É com base num poema de José Eduardo Guimarães, ou Martim Afonso de Redondo, que surge mais uma obra do escultor Hélder de Carvalho. Tendo como lema as Sombras que não quero ver, a peça será inaugurada no próximo dia 3 de dezembro, às 16h30, na Faculdade de Medicina da U.Porto. O evento é aberto a todos.

Foi a obra do médico e escritor Martim Afonso de Redondo (pseudónimo de José Eduardo Guimarães) que inspirou o escultor a desenvolver esta nova obra. Na tentativa de dar corpo “à verdade, loucura e desespero” que sentiu nas palavras do autor, Hélder de Carvalho inspirou-se, particularmente, no poema “Vou / Fustigar-te / A alma”. Tratou-se, diz o artista, “de decifrar pensamentos arrancados do poema, que mais não são que a transcrição dos medos, anseios e memórias que acompanham a existência de todos nós”.

O poema foi, assim, ponto de partida, sem determinar, necessariamente, “um destino final”. Recorrendo ao universo literário como plataforma transformadora e às ferramentas que considerou adequadas, Hélder de Carvalho criou um “universo plástico cheio de inquietudes e medos” numa tentativa de os esconjurar, “para que não mais continuem a povoar a minha existência”.

A nova instalação insere-se na continuidade do projeto Sombras que não quero ver que, vem ocupando os diferentes polos da Universidade do Porto. Depois das obras apresentadas na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, a obra a apresentar na Faculdade de Medicina permite identificar, afirma o artista, “uma certa coerência estética e conceptual que se revela de forma recorrente em duas referências: a presença do universo figurativo e a exploração contínua da expressividade e plasticidade dos materiais”.

Há ainda um “foco experiencial e inquisitivo” que Hélder de Carvalho considera fundamental e que o acompanha ao longo de todo o processo criativo. E, assim, conclui, “obtenho valores expressivos para as minhas representações. Trata-se de interrogar a matéria, testar os seus limites, provocar tensões e revelar estados internos que interpretem a cada momento o meu estado de espirito”.

A nova instalação do antigo estudante da FBAUP será revelada ao público no dia 3 de dezembro. (Foto: DR)

Sobre Martim Afonso de Redondo

É o pseudónimo de José Eduardo Torres Eckenrarte Guimarães, nascido em 1949, doutorado em medicina, especialista em hematologia clinica, Diretor do Hospital de S. João e Professor Catedrático aposentado da FMUP.

Foi 1.º Prémio dos Jogos Florais da Queima das Fitas Poesia (1971) e Menção honrosa do Prémio Almeida Garrett (Poesia), Ateneu Comercial do Porto (1970). Na Modo de Ler, tem publicada a obra Antes e depois do cais de Seixas.

Sobre Hélder de Carvalho

Formou-se em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da .Porto (FBAUP), onde foi aluno, entre outros, dos escultores Alberto Carneiro e Zulmiro de Carvalho, dos pintores Álvaro Lapa e Jorge Pinheiro, do crítico de arte Fernando Pernes (1936-2010) e do historiador Flávio Gonçalves (1929-1987).

Em 2005, fez o Mestrado em “Art Craft and Design” pela Universidade de Roehampton, em Londres, em parceria com a Universidade do Minho. Foi professor e, hoje, dedica-se, em exclusividade, à prática das artes plásticas, preferencialmente à escultura.

Já expôs na Bienal de Escultura e Desenho das Caldas da Rainha (1987 e 1989), na Cooperativa “Árvore” (Porto, 1995), na Fundação Engenheiro António de Almeida (Porto,1997), na Galeria “Porto Oriental (Porto, 2021 e 2022), no Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta (Gouveia), na Bienal de Arte Contemporânea de Trás os Montes (Macedo de Cavaleiros, 2022) e, mais recentemente, apresentou Espessa Escuridão, na Estação de Metro de São Bento, no Porto, em 2022.

É autor de um vasta obra pública dispersa pelo país, da qual se destacam bustos como o de António de Almeida (Fundação Eng. António de Almeida, Porto); Corino de Andrade (ICBAS); a Estátua de Abel Salazar (Jardim Carrilho Videira, Porto); o Busto de Edgar Cardoso (Vila Nova de Gaia) e a Estátua de Rocha Peixoto (Póvoa de Varzim).