“A carreira de Adélio Mendes representa o melhor da Engenharia portuguesa”. É desta forma que Sebastião Feyo de Azevedo, presidente da Academia de Engenharia e antigo Reitor da Universidade do Porto, se refere a Adélio Mendes, Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) e vencedor da 2.ª edição do Prémio Carreira Galp – Academia de Engenharia.

Com um percurso científico e tecnológico de referência internacional, Adélio Mendes junta assim ao seu pecúlio o galardão – no valor de 10 mil euros – atribuído anualmente a engenheiros cujo trabalho contribui para a afirmação da Engenharia em Portugal.

“Não é apenas um professor de grande estatura académica — é um inovador com impacto nas empresas e na economia, que tem ajudado a criar uma verdadeira cultura empreendedora dentro da Academia”, salienta Ana Casaca, diretora de Inovação da Galp.

Adélio Mendes sucede assim a Arlindo Oliveira, vencedor da primeira edição do Prémio Carreira Galp–Academia de Engenharia. Uma distinção que reforça o compromisso conjunto da Galp e da Academia de Engenharia em valorizar o talento e a investigação na área, considerada decisiva para o desenvolvimento do país, assistindo-se à sua crescente preponderância perante desafios de grande magnitude como a revolução tecnológica, as alterações climáticas ou a transição energética.

Uma carreira notável

Licenciado em Engenharia Química pela FEUP em 1987, Adélio Mendes doutorou-se em 1993. Em 2006 obteve o grau de agregação e, em 2014, tomou posse como Professor Catedrático em Engenharia Química.

Entre os inúmeros reconhecimento e prémios que tem somado ao longo da carreira destaca-se a conquista, em 2012, de uma Advanced Grant do European Research Council (ERC), no valor de cerca de dois milhões de euros, para o desenvolvimento de células solares sensibilizadas com corante. Vencedor do Prémio Universidade de Coimbra em 2016, foi também o responsável pela primeira cerveja sem álcool da Super Bock e o criador da patente mais cara vendida em Portugal, por cinco milhões de euros.

A investigação de Adélio Mendes incide sobre áreas importantes para o avanço da transição energética, como células fotovoltaicas avançadas, eletrorredução de CO₂, baterias, eletrólise, clivagem catalítica do metano e produção de metanol verde. Entre os vários projetos que lidera, destaca-se a coordenação científica da agenda H2Driven, no valor de 240 milhões de euros, dedicada à inovação em hidrogénio e novas tecnologias de energia.

Autor de cerca de 500 artigos científicos e detentor de mais de 35 famílias de patentes, o professor catedrático da FEUP lidera uma equipa de mais de 50 investigadores, da qual nasceram até hoje onze start-ups tecnológicas deeptech.

Na FEUP, coordena uma grande equipa de investigação no Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia- LEPABE, onde coordena a área de Processos, Produtos e Energia com interesses em células fotovoltaicas – células sensibilizadas com corante e células perovesquita; células solares fotoelectroquímicas para a clivagem da água, fotoeletroredução do CO2; baterias redox de escoamento, células de combustível de eletrólito de membrana polimérica, reatores de membrana e reatores eletroquímicos, processos de separação com membrana e adsorção.