A justiça social, as crises ecológicas e a descolonização são alguns dos temas a desenvolver no Arquiteturas Film Festival, o ciclo de cinema que passa, dias 28 e 29 de junho,  pela Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto.

Embora a arquitetura sirva culturas e pessoas das mais variadas estruturas sociais, nem sempre considera questões relacionadas com justiça social ou crise ecológica. Foi para discutir estes discursos enraizados na disciplina e contrariar o paradigma ocidental dominante, quer na educação quer na prática da profissão, que surgiu o Arquiteturas Film Festival.

Nesta 11.ª edição do Festival, o público é convidado a descobrir as complexidades da produção do conhecimento arquitetónico e o respetivo impacto social. Como pode a arquitetura fazer reimaginar a representações convencionais e desmantelar narrativas coloniais. Vamos aprender a desaprender?

O programa da sessão, resultado de uma colaboração com o Cinalfama (ciclo anual de cinema independente que se realiza em Alfama), arranca às 15h15 com a exibição de Miraflores. Esta curta-metragem, assinada por Rodrigo Braz Teixeira, vai-nos dando alguns elementos em jeito de peças que nos ajudarão a construir um puzzle: Três crianças à procura de uma história; Um grupo de amigos em festa; Uma igreja insólita; uma piscina abandonada e uma árvore caída numa rotunda. Antes de avançar para o filme, poderá, desde já, pensar sobre o que marca mais um lugar. Será a paisagem que nos rodeia ou as memórias do que lá se viveu?

É também sobre as histórias e memórias que nos ligam aos lugares que nos transporta Tronco, curta-metragem de Leonardo Rocha e Luna Grimberg. Este vai levar-nos até ao cenário de um domingo à tarde, mas não é um domingo à tarde qualquer. É o momento que obriga uma família a separar-se das suas raízes.

Tronco, de Leonardo Rocha e Luna Grimberg. (Foto: DR)

A terminar a sessão, entraremos na Casa Conveniente, de Barbara Balestras Kazazian. Num contexto social e num tempo em que o lugar da arte é constantemente posto em causa, conhecemos Monica Calle, uma mulher que luta com a sua companhia de teatro para continuar a ser uma atriz. Vai beber a sua força à Zona J, um bairro da periferia de Lisboa, onde instalou o seu novo espaço de criação, rodeado de antigos reclusos.

Dia 29, a sessão tem início às 17h15. Durante a tarde iremos destacar a contribuição dos participantes de língua portuguesa na exposição oficial da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023: Banga Coletivo (através da visão de um artista de rua, esta é uma curta sobre os mercados informais angolanos responsáveis pelo sustento de muitas famílias), Cartografia Negra (navegando por mapas e fotografias, o filme revela histórias da comunidade negra que têm sido invisibilizadas na narrativa oficial da cidade de São Paulo) e Margarida Waco (uma espécie de “carta de amor a Cabinda”). Exibimos ainda 2 filmes encomendados pelo Pavilhão do Brasil “Terra”, vencedor do prémio Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional, na Bienal.

O Arquiteturas Film Festival é organizado pelo INSTITUTO e tem direção do arquiteto Paulo Moreira. Fundado em 2018, o INSTITUTO é uma plataforma sediada no Porto para discutir e divulgar a arquitetura e as suas intersecções com as artes visuais e espaciais, o pensamento crítico e as colaborações interdisciplinares.

O programa passa por diferentes locais da cidade.