Quantos estudantes de medicina conhece que são também músicos? Alguns… Essa é uma característica que une os intervenientes deste concerto, realizado pelos estudantes e pela regente da Unidade Curricular Medicina, Música e Mente, integrado no Mestrado Integrado em Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar ICBAS). Acontece no próximo dia 11 de dezembro, às 21h00, na Casa Comum da Reitoria da U.Porto.

Pode o saber ouvir, a disponibilidade para realmente ouvir ajudar a traçar o diagnóstico do paciente? Inspirados na frase “listen to your patient, he is telling you the diagnosis”, do médico William Osler,  osestudantes do ICBAS criaram este momento de partilha e fruição musical que, no fundo, exprime uma mensagem muito clara: A arte de saber ouvir.

Os efeitos terapêuticos da música (para quem a pratica e para quem ouve) têm vindo a ser estudados e demonstrados, sendo já robusta a evidência científica das intervenções médicas com música como estratégia de neuromodulação. As técnicas de neuromodulação atuam no sistema nervoso através de estímulos direcionados a áreas neurológicas específicas do organismo, restaurando funções ou diminuindo sintomas com base ou influência neurológica.

Por outro lado, são também conhecidos os benefícios das artes para o próprio médico (nomeadamente a audição de música ou a prática de um instrumento musical), incrementando a sua capacidade de comunicação e compreensão do doente na sua individualidade.

Ouvir com todos os sentidos

O concerto vai abrir com um compositor russo que procurava uma espécie de “harmonia cósmica” entre a música e a natureza. Falamos de Alexander Scriabin. Recorria, por vezes, a luzes e aromas transformando o concerto numa experiência sensorial. Deste compositor de finais do século XIX princípios do século XX ficaremos com Prélude op. 11, n.º 11, Ana Zão, ao piano, e Étude op. 8, n.º 12, Leonor João, também ao piano.

Do início do século XIX, ficaremos depois com um compositor francês da era romântica. De Frédéric François Chopin ouviremos Scherzo n.º 2, com Leonor João, ao piano. Segue-se uma “travessia do Atlântico” para receber a criação de um compositor já de inícios do século XX. Filho de pais suecos, nasceu em Cambridge, Massachusetts, e foi estudante da Universidade de Harvard. João Velosa, no trompete, e Ana Zão, ao piano, vão interpretar A Trumpeter’s Lullaby, de Leroy Anderson.

A direção musical do concerto ficará a cargo da médica e pianista Ana Zão, docente da unidade curricular “Medicina, Música e Mente” do ICBAS. (Foto: DR)

De regresso ao continente europeu, ficaremos “em casa” com a criação de Rui Soares da Costa. Deste compositor portuense ficaremos com a obra Miniaturas que teve a sua “première” em 2004 sob a direção de António Sérgio Ferreira, na inauguração do Conservatório de Música de Vila Real. Na noite de 11 de dezembro, Miniaturas (a quatro mãos), n.º 2: Sonho, será interpretado ao piano por Leonor João e Ana Zão.

Para além de ter sido compositor, maestro e professor, foi a performance ao piano que tornou realmente celebre o último “convidado” da noite. Do húngaro Franz Liszt, de inícios do século XIX, Leonor João irá interpretar Un Sospiro e Ana Zão, irá interpretar Sposalizio e Widmung. Ao piano, claro está.

O programa tem direção musical da médica e pianista Ana Zão, docente da unidade curricular Medicina, Música e Mente . Todos os estudantes que frequentaram a disciplina no letivo transato (2022/2023) estão envolvidos na realização deste concerto, sendo que alguns são estudantes ou alumni da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo.

Os comentários para contextualização das obras serão também apresentados pelos estudantes.

O concerto tem entrada livre, sujeita à lotação da sala.