O novo programa CaixaImpulse Inovação em Saúde, da Fundação «la Caixa» e do BPI, financiou seis projetos de investigação biomédica portugueses com cerca de 50 mil euros cada, sendo um deles do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S).

Liderado pela  investigadora Victoria Leiro, do grupo «nBTT – nanoBiomaterials for Targeted Therapies» do i3S, o projeto distinguido pretende desenvolver um inovador e biodegradável agente de contraste para melhorar a precisão do diagnóstico de AVC, através de tomografia computorizada (TAC).

Apesar desta ser a técnica de imagiologia de referência para o diagnóstico de acidente vascular cerebral, os números indicam a existência de até 30 por cento de falsos negativos, mesmo quando são usadas elevadas doses dos agentes de contraste disponíveis atualmente.

No sentido de melhorar a sua eficácia, a equipa liderada por Victoria Leiro propõe desenvolver um “agente de contaste que revela as estruturas anatómicas cerebrais de uma forma mais eficiente, uma vez que aumenta o contraste das imagens captadas pela TAC”.

Segundo a investigadora, “trata-se de um composto biologicamente seguro, à base de dendrímeros biodegradáveis (desenvolvidos e patenteados pela equipa), um tipo de macromoléculas com uma estrutura esférica e bastante ramificada”.

Estes dendrímeros, acrescenta Victoria Leiro, “têm a capacidade de chegar ao cérebro, atravessando a barreira hematoencefálica, e de transportar inúmeras moléculas de contraste iodadas. O que se obtém é um agente de contraste dendrítico amplificado com potencial de aumentar até 27 vezes o contraste das imagens de TAC que se obtêm com os agentes de contraste utilizados atualmente”. A eficácia e segurança deste agente de contraste será avaliada num modelo animal de AVC.

Com este novo agente de contraste, sublinha Victoria Leiro, “esperamos obter imagens de tomografia computorizada do cérebro com maior definição, de forma a melhorar a sensibilidade dos exames e ajudar a evitar as consequências graves dos casos de AVC subdiagnosticados”.

Além disso, acrescenta a investigadora, “trata-se de uma tecnologia versátil que, futuramente, também poderá ser aplicada na melhoria do diagnóstico de outras patologias, como o cancro, onde uma maior definição das imagens obtidas pela TAC poderá permitir um diagnóstico mais preciso”.

Do laboratório para o doente

O Programa CaixaImpulse Inovação tem por objetivo permitir que a investigação saia do laboratório e chegue aos doentes sob a forma de soluções capazes de contribuir para melhorar a sua saúde.

Nesse sentido, o programa oferece aos cientistas empreendedores selecionados apoio financeiro e acompanhamento através de mentoria, consultoria e formação, conta com colaboração da Caixa Capital Risc e com a parceria da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que financia dois projetos deste concurso, nomeadamente o da investigadora Victoria Leiro.

No que toca a financiamento, os projetos premiados, todos eles na fase 1, recebem até 50 mil euros para o seu desenvolvimento nos próximos dois anos.

O programa permite que, quando atingirem metas específicas de desenvolvimento e após uma avaliação realizada por uma comissão de avaliação, os projetos avancem para fases posteriores com mais financiamento.

Sobre a Fundação “la Caixa”

A Fundação ”la Caixa” mantém o seu compromisso com a inovação e a transferência de tecnologia em biomedicina e saúde desde 2015, quando criou o primeiro programa de financiamento em Espanha. Até agora, já concedeu um total de 21,3 milhões de euros a 202 projetos, dos quais nasceram 42 spin-offs, que, por sua vez, conseguiram financiamento adicional através de outros concursos competitivos ou investidores privados, num valor superior a 100 milhões de euros.

O Programa foi alargado a Portugal em 2017. Desde então, a Fundação ”la Caixa” e o BPI atribuíram 2,3 milhões de euros a um total de 23 projetos que, até à data, permitiram a criação de três spin-offs nacionais.