Universidade impõe insígnias doutorais a estudantes no Brasil

Protocolo U.Porto CFM

Quatro estudantes receberam placas comemorativas de conclusão do curso de doutoramento em bioética na U.Porto (Foto: CFM)

A Universidade do Porto, a sua Faculdade de Medicina (FMUP) e o Conselho Federal de Medicina do Brasil (CFM) promoveram no passado dia 20 de julho, em Brasília, a sessão solene de entrega dos certificados aos estudantes brasileiros do Programa Doutoral em Bioética.

Recorde-se que a FMUP e a U.Porto detêm um protocolo com o CFM, que tutela mais de 400 mil médicos brasileiros, com o objetivo de desenvolver um “programa de intercâmbio técnico e científico entre o Conselho Federal de Medicina e a FMUP, visando à cooperação docente e supervisão científica de estudantes de doutoramento brasileiros inscritos na Universidade do Porto no ramo de conhecimento em Medicina”, especialmente na área da Bioética.

O evento reuniu o Reitor da U.Porto, a diretora da FMUP, o presidente da Associação Portuguesa de Bioética, o bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal e o presidente do CFM, pretendendo fortalecer “não só a identidade cultural e histórica entre as nações, mas, sobretudo, o progresso de reflexões bioéticas diante dos avanços científicos e tecnológicos que os dois países atravessam”.

O Reitor da U.Porto destacou como os avanços científicos atuais confrontam a sociedade com questões bioéticas. “Os avanços científicos e tecnológicos estão de fato a obrigar a classe médica, políticos e cidadãos em geral a avaliar as questões e riscos da Medicina atual. Tais questões exigem grande sensibilidade, pois entram em conflito com valores, sentimentos e crenças. Importa encontrar a linha de dominação ética sem que isso comprometa o avanço”, avaliou Sebastião Feyo Azevedo.

Para a diretora da FMUP, Maria Amélia Ferreira, o Programa Doutoral em Bioética “cumpre o dever ligado à ética e bioética, produzindo médicos capazes de assumir com êxito a sua tarefa e serem peritos em ciência, arte e consciência”.

Protocolo U.Porto CFM

O presidente do CFM, Carlos Vital, classificou o momento como “histórico” (Foto: CFM)

Já o presidente do CFM, Carlos Vital, classificou o momento como “histórico”, pois cumpriu uma das missões da instituição que é promover ações no sentido de qualificação dos profissionais. “Nós fiscalizamos, normatizamos e até punimos, mas precisamos também de nos responsabilizar e contribuir com a formação para que as ações preventivas superem as punitivas”, disse.

O desafio da gestão do programa, que está prestes a completar sete anos, foi lembrado pelo diretor do Programa e presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, e pelo diretor-tesoureiro do CFM, José Hiran Gallo. “Aceitamos o desafio de manter o Programa Doutoral em plena atividade, continuando a produzir discípulos dentro da melhor tradição, gerando conhecimento e mudando vidas”, disse Gallo.

Para Rui Nunes, “Bioética e Ética Médica são essenciais à Medicina e esse projeto tem sido o exemplo de que apesar do enorme mar que nos separa, em termos físicos, Brasil e Portugal estão muito próximos do ponto de vista da cultura, identidade e propósitos”.

Durante a cerimónia, quatro estudantes receberam placas comemorativas de conclusão do curso de doutoramento em bioética na U.Porto: Clóvis Francisco Constantino; Inês Motta de Morais; José Hiran da Silva Gallo e Maria do Carmo Demasi Wanssa. Outros 22 estudantes receberam certificados de participação em atividades no Programa de Doutoral em Bioética.