U.Porto abre as portas às Jornadas Europeias do Património

Programa inclui uma visita guiada a alguns dos mais emblemáticos espaços da “casa mãe” da Universidade do Porto. (Foto: U.Porto)

Descobrir alguns dos mais importantes tesouros bibliográficos da Universidade do Porto, desvendar a Ciência que se fazia no passado, viajar ao Portugal do Estado Novo e conhecer o espaço que inspirou a obra de Sophia de Mello Breyner. E tudo isto ao som da melhor música tradicional portuguesa. De 28 a 30 de setembro, passa por aqui parte do “convite” que a U.Porto lança a toda a população, como forma de assinalar as Jornadas Europeias do Património 2018.

Tendo como palco central o edifício da Reitoria, as comemorações arrancam logo na manhã (10h00) do dia 28, sexta-feira, com a abertura de uma feira do livro – composta pelas publicações da U.Porto Edições – nas arcadas do edifício. Dentro da Reitoria, os visitantes podem ainda encontrar duas exposições: uma composta por instrumentos científicos pertencentes ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNCUP); e outra de livros do Fundo Antigo da Universidade. No mesmo dia, mas da parte da tarde (17h00), a música tradicional portuguesa invade a Praça Gomes Teixeira pelas mãos e vozes do Núcleo de Etnografia e Folclore da U.Porto (NEFUP).

Para a manhã (10h00) de sábado, dia 29, a proposta passa por uma visita guiada a alguns dos mais emblemáticos espaços da Reitoria (Salão Nobre, Sala do Conselho e Biblioteca do Fundo Antigo). Prevista está também uma homenagem aos estudantes da U.Porto mortos na I Guerra Mundial, que incluirá a deposição de flores junto do memorial existente no edifício.

A iniciativa encerra com duas apresentações – dia 29, às 21h00, e dia 30, às 17h00, na Biblioteca do Fundo Antigo – do espetáculo “Variações a partir de um coração – Divertimento popular para um Quarteto Contratempus”, pelo Quarteto Contratempus. Trata-se de um espetáculo interdisciplinar que, através  da recriação e reinvenção de música tradicional portuguesa (repertório referente ao norte do país, que consta do Cancioneiro Popular português), lança uma viagem no tempo pelo património musical do Douro e Minho.

A entrada nas atividades é livre e gratuita, com e exceção das duas apresentações do Quarteto Contratempus, cuja entrada custa 5 euros.

Homenagear as “Memórias da Resistência” e recordar Raúl Hestnes Ferreira

As celebrações das Jornadas Europeias do Património 2018 na U.Porto não se esgotam, contudo, nos espaços da Reitoria. Na Faculdade de Letras (FLUP), a iniciativa servirá de pretexto para lembrar e homenagear o movimento de resistência ao fascismo que existiu em Portugal antes da reconquista da democracia, com o 25 de abril.

As “memórias da resistência partilhadas em liberdade” dão o mote para um colóquio aberto ao público e que terá como ponto alto a apresentação do projeto do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade , que ficará instalado na Fortaleza de Peniche, uma das principais prisões do Estado Novo. Um tema que será abordado numa mesa redonda que contará com a participação do Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, do historiador Fernando Rosas, ou do arquiteto João Barros Matos. Ao longo do dia haverá ainda tempo para percorrer as memórias da presença da PIDE no Porto, entre 1930 e 1974.

Também no dia 28 de setembro, a Fundação Marques da Silva (FIMS) assinala a sua participação nas JEP com uma sessão dedicada ao arquiteto Raúl Hestnes Ferreira (1931-2018), cujo acervo foi doado recentemente à FIMS. Para além da evocação dessa doação, haverá espaço para Cinco dedos de uma mão, mote para uma conversa focada num dos mais emblemáticos projetos de Hestnes Ribeiro – a Escola Secundária José Gomes Ferreira, na freguesia de Benfica, em Lisboa – e que vai juntar à mesma mesa Alexandra Saraiva (arquiteta, professora e investigadora da obra de Raúl Hestnes Ferreira), Anselmo Canha (designer, músico, investigador e professor), Manuel Esperança (professor e Diretor da Escola de Benfica) e o humorista e radialista Nuno Markl, antigo aluno da escola.

A sessão tem início às 18h30, na Casa-Atelier José Marques da Silva. A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço.

Ainda no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2018, o Jardim Botânico do Porto, em parceria com o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), promove, no dia 30 de setembro, pelas 17h30, uma visita ao Jardim do Xisto, cuja coleção evoca o ambiente da flora duriense. Tendo como cenário o espaço que inspirou Sophia de Mello Breyner Andresen, propõe-se uma conversa entre o Presidente do IVDP e outros convidados sobre o Douro, suas tradições e ilustres escritores. A entrada é livre.

Subordinadas ao tema “Partilhar Memórias”, as Jornadas Europeias do Património (JEP) 2018 são uma iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da Comissão Europeia que, em pleno Ano Europeu do Património Cultural, vai procurar sensibilizar a população para o património comum da Europa e para a necessidade da sua proteção, através de mais de 70 mil atividades a decorrer em mais de 50 países. Em Portugal, a programação é coordenada pela DGPC – Direção-Geral do Património Cultural e envolve dezenas de entidades públicas e privadas.