Sociedade Portuguesa de Cardiologia premeia Faculdade de Medicina

Entrada CIM / FMUPA Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) venceu seis prémios no âmbito do Congresso da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) 2016. No total, foram arrecadados 21 mil euros que serão reinvestidos em novos trabalhos de investigação.

Prémio Servier na Insuficiência Cardíaca – Investigação Básica foi atribuído a um estudo desenvolvido pelo Departamento de Fisiologia e Cirurgia Cardiotorácica em colaboração com o Departamento de Bioquímica da FMUP, a Faculdade de Desporto da U.Porto e a Universidade de Aveiro. O trabalho avaliou o efeito do agente terameprocol num modelo experimental de hipertensão pulmonar. Este agente conhecido pelas suas ações anti-proliferativas e pró-apoptóticas demonstrou ser eficaz na modulação de importantes vias fisiopatológicas, levando os autores a concluir que poderá constituir uma opção terapêutica no futuro.

Prémio Delta de Cardiopatia Isquémica distinguiu um trabalho que foi realizado no âmbito da Unidade de Investigação Cardiovascular, em colaboração com o Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho. Esta trabalho demonstrou que a tendência para armazenar mais gordura abdominal no compartimento visceral em detrimento do compartimento subcutâneo se associa a um risco aumentado de morte, enfarte agudo do miocárdio ou necessidade de revascularização miocárdica, independentemente da idade, género e dos fatores de risco cardiovascular de cada indivíduo.

Bolsa João Porto da Sociedade Portuguesa de Cardiologia foi atribuída a um projeto que tem como objetivo estudar os mecanismos fisiopatológicos na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, mais focado para as alterações metabólicas e energéticas, assim como avaliar o stresse oxidativo e o seu impacto nas modificações pós-translacionais de proteínas miofilamentares. Para além disto, este projeto inclui também uma componente terapêutica cujo objetivo é avaliar o efeito de um péptido sintético antioxidante que tem como alvo a membrana mitocondrial interna, na insuficiência com fração de ejeção preservada.

Já o Prémio Servier em Insuficiência Cardíaca – Investigação Clínica premiou um trabalho onde os investigadores pretenderam avaliar de que forma o volume e a função da aurícula esquerda podem influenciar a capacidade de exercício de doentes com insuficiência cardíaca. Em relação aos resultados, observou-se que os volumes da aurícula esquerda (sobretudo o volume antes da contração auricular) são marcadores da capacidade funcional. Além disso, a capacidade de exercício (que neste estudo foi avaliada através da realização de prova cardiopulmonar com avaliação do consumo de oxigénio) relacionou-se sobretudo com a função de “condução” da aurícula esquerda e não com a sua função de “contração”. Em resumo, estes dados reforçam o crescente interesse, clínico e científico, da avaliação da função auricular esquerda como um novo alvo para a compreensão da hemodinâmica cardíaca e da fisiopatologia da insuficiência cardíaca.

Prémio Jovem Investigador – Investigação Básica distinguiu um trabalho sobre o estudo do papel do microRNA-155 na fisiopatologia da insuficiência cardíaca aguda associada ao choque séptico (cardiomiopatia séptica), com um foco especial na regulação da produção de óxido nítrico (NO) no tecido miocárdico. Neste trabalho foram utilizadas amostras provenientes de pacientes em choque séptico e modelos animais de sépsis, tendo sido o microRNA-155 identificado como um importante regulador da produção de óxido nítrico.

Prémio Melhor Comunicação Oral do CPC2016 foi entregue ao trabalho “Metabolic syndrome is associated with increased interstitial myocardial fibrosis assessed by cardiac magnetic resonance contrast-enhanced T1 mapping”, que resultou de uma análise de dados do estudo MESA (Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis) e permitiu perceber que indivíduos com síndrome metabólica, mesmo sem diabetes mellitus tipo 2, apresentam aumento da fibrose miocárdica intersticial e deterioração da função diastólica (avaliados por ressonância magnética cardíaca). 20 a 40% da população adulta ocidental apresenta alterações cardíacas anatómicas e funcionais que, na maior parte das vezes, são subclínicas. Contudo, a presença destas alterações poderá vir a ter implicações na estratificação de risco e na escolha do tratamento destes doentes.

A edição deste ano do Congresso da Sociedade Portuguesa de Cardiologia decorreu entre os dias 23 e 26 de abril, em Vilamoura.