SexLab estuda saúde sexual de pessoas com incapacidades físicas

O estudo é dirigido a pessoas entre os 18 e os 50 anos – com ou sem tipo de incapacidade física – e consiste no preenchimento de um inquérito online. (Foto: Egidio Santos/U.Porto)

Avaliar o papel de diferentes fatores psicológicos na saúde sexual de pessoas com incapacidades físicas é o objetivo do novo estudo que está a ser conduzido pelo SexLab  Centro de Investigação em Sexualidade Humana da Universidade do Porto, sediado na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto (FPCEUP).

Segundo Raquel Pareira, investigadora responsável pelo estudo,” a sexualidade das pessoas com incapacidade é frequentemente ignorada ou negligenciada pelos profissionais de saúde e pela sociedade em geral”. Espera-se por isso que os resultados deste projeto “contribuam para um maior conhecimento científico e avancem com implicações relevantes para a promoção da saúde sexual de pessoas com incapacidade física, promovendo a sensibilização de profissionais de saúde e da comunidade em geral para a problemática”.

Dados preliminares de um estudo de Focus Group, conduzido pela investigadora junto de pessoas com diversas incapacidades físicas, evidenciam contudo a elevada importância da sexualidade e intimidade enquanto direitos fundamentais para uma vida independente. Neste estudo prévio, os participantes identificaram a baixa auto-estima, o preconceito e o isolamento social como as principais barreiras à sua sexualidade. Já o acesso a informação especializada é encarado como uma das principais necessidades para lidar com o impacto da sua condição física na sexualidade.

Numa altura em que a investigação na área da sexologia tem vindo a demonstrar o papel de diferentes crenças e estilos cognitivos no desenvolvimento de determinadas dificuldades sexuais, este novo estudo é importante para perceber as principais diferenças e semelhanças  entre pessoas com e sem incapacidade – motora, neurológica, visual ou auditiva – relativamente ao seu funcionamento e satisfação sexual. O estudo vai decorrer ao longo de um ano e vai permitir avaliar os efeitos destes fatores ao longo do tempo, bem como o planeamento de intervenções mais adequadas às circunstâncias daquelas populações.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), o estudo consiste no preenchimento de inquéritos online e necessita da contribuição voluntária de pessoas entre os 18 e os 50 anos, com algum tipo de incapacidade física e sem qualquer tipo de incapacidade. Os voluntários têm asseguradas todas as normas de anonimato e confidencialidade e, se o desejarem, podem vir a participar noutras fases de avaliação, ao longo de um ano. Como forma de reconhecimento pelo tempo despendido, os voluntários podem participar num sorteio de um de cinco vales de compras no valor de 20 euros (versão masculinaversão feminina).