SENTES: problematizar o conforto e a saúde no ambiente construído

FRAME-SENTES_300_200São 12 episódios, de 30 minutos, que desde o passado dia 30 de julho, vão para o ar na RTP2. Denominado “SENTES”, o programa tem periodicidade semanal e foca-se na problemática do Conforto e da Saúde no Ambiente Construído, isto é, nos edifícios e no ambiente urbano em geral”, apresenta Eduardo Oliveira Fernandes, professor emérito da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) e autor do programa.

“SENTES” é o acrónimo de Saúde, Energia, Natureza, Território, Edificação, Suficiência e tem por objetivo potenciar a dinâmica do programa através dos meios audiovisuais. Com este programa o que se procura é sobretudo assegurar uma certa dinâmica entre atualização do conhecimento e o acesso dos cidadãos a esse mesmo conhecimento sobre valores que interpelam as cidades e os seus cidadãos.

“Esta série SENTES foi por mim proposta à minha Universidade no âmbito do meu Programa de Professor Emérito 2015-2019. SENTES é uma palavra-acrónimo que procura interpelar ambicionando, no fundo, ligar um conjunto de cenários de vida entrecruzados em cada um de nós, enquanto cidadão e ator único”, explica Eduardo Oliveira Fernandes.

Mas de que trata afinal o “SENTES”? Para o docente, “o elemento crítico aqui é a energia. A volta ao problema parece estar a ser dada com as energias renováveis, isto é, com o Sol tecnológico e, mais recentemente, com a eficiência energética em ‘qualquer’ uso de ‘qualquer’ energia. Mas há mais, muito mais, para além da simplificação caricata do problema da energia às renováveis via eletricidade e à eficiência energética…de que agora se fazem eco os políticos. É que, na energia, como em qualquer recurso natural há que dar prioridade à Suficiência”.

Ainda segundo Oliveira Fernandes, “há várias áreas geográficas e países como Portugal onde, no que respeita ao edificado em geral, antes da eficiência energética há que cuidar da suficiência energética de cada edifício, o que quer dizer que antes de se fazer um edifício novo ou reabilitado há que ponderar a sua localização e a sua interação com o clima e o Sol e elaborar a sua justificação como objeto construído através da arquitetura e das próprias tecnologias de construção. Esta é a problemática da cidade, em que as ‘Manhattans’ ou ‘Dubais’ são meros contrapontos. Em todo esse processo deverá estar presente a saúde, o conforto e a suficiência energética na ligação com o restante território e o Planeta.  E, uma vez feito o edifício, há que o usar com o mesmo respeito no uso da energia como da água, nomeadamente, entre outros recursos naturais do território tendo em conta os valores da saúde e da dignidade do homem e da natureza”.

Estes e outros temas são tratados no conjunto de episódios a exibir ao longo das próximas semanas, sempre às 18h30, e dirigidos a todos os cidadãos.