Qual o impacto dos nanomateriais na saúde humana?

João Paulo Teixeira, investigador do ISPUP, integrou uma equipa de peritos internacionais que estudou os efeitos das partículas ultrafinas e dos nanomateriais sintetizados na saúde humana.

João Paulo Teixeira, da unidade de investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), integrou uma equipa de peritos internacionais que procurou sistematizar o conhecimento atual sobre a toxicidade e os efeitos na saúde humana das partículas ultrafinas e dos nanomateriais sintetizados que estão presentes no ar que respiramos. O artigo publicado na prestigiada revista “Environmental Health Perspectives” realça que não podemos descartar a possibilidade de existir um risco da utilização destes materiais para a saúde pública.

“A exposição da população humana a partículas de dimensão da ordem dos nanómetros (muito reduzidas) pode ser considerada permanente, uma vez que tais partículas se encontram no ar que respiramos e numa vasta gama de produtos de consumo que usamos diariamente”, explica o investigador. “Essas partículas podem ter origem natural ou antropogénica (criada pelo homem), mas, de momento, as atenções focam-se nos nanomateriais manufaturados, ou seja, naqueles que são sintetizados deliberadamente para um fim específico. Estes materiais constituem um novo desafio em termos de saúde pública, pelo que são necessários estudos que permitam garantir a sua utilização segura e minimizem os riscos para a saúde”, adianta.

Os efeitos nocivos destes materiais atmosféricos na saúde, particularmente sobre os sistemas respiratório e cardiovascular, já se encontram bem documentados. A revisão recentemente publicada, e na qual João Paulo Teixeira é o único português, mostra que as partículas ultrafinas e os nanomateriais manufaturados contribuem para induzir estados de stress oxidativo (associado ao envelhecimento e ao surgimento de várias doenças) e de inflamação. No entanto, nem todos os nanomateriais manufaturados são iguais em termos do seu potencial tóxico e nem todas as partículas ultrafinas presentes no ar ambiente têm o mesmo potencial para provocar efeitos adversos na saúde, pelo que são necessários mais dados clínicos e estudos nesta área emergente de investigação, destaca o artigo.

“Embora a informação sobre os níveis de nanopartículas a que a população humana se encontra exposta (em contexto ambiental ou ocupacional) seja ainda escassa, existem vários estudos que indiciam potenciais efeitos adversos na saúde humana”. Assim, futuramente, deverá apostar-se no “desenvolvimento de um paradigma de nanotoxicologia preditiva que permita evitar os efeitos adversos destes materiais, garantindo a sua utilização segura”.

No que à proteção da saúde pública diz respeito, deve “aplicar-se o princípio da precaução”, sublinha João Paulo Teixeira. “A saúde pública terá de assegurar a interligação e o equilíbrio entre a evolução tecnológica e a garantia da segurança dos nanomateriais e das nanotecnologias, para que possamos beneficiar da inovação assegurando a proteção do ambiente e da saúde humana”.

O artigo intitulado “Nanomaterials versus ambient ultrafine particles: an opportunity to exchange toxicology knowledge” pode ser consultado aqui.