Projeto da FCUP quer reciclar resíduos agroalimentares em produtos cosméticos

As antocianinas, o composto bioativo responsável pela cor do vinho tinto e frutos vermelhos, pode ser utilizada na produção de cosméticos de cuidados da pele.

E se o seu próximo creme para a pele tiver sido criado a partir da reciclagem de resíduos não aproveitados pela indústria agroalimentar? Este é o objetivo do projeto de investigação ANTHO4SKIN, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e coordenado por Nuno Mateus, do Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

O projeto pretende provar a viabilidade do aproveitamento das antocianinas – o composto bioativo responsável, por exemplo, pela cor vermelha do vinho tinto e dos frutos vermelhos – presentes em muitos subprodutos da indústria alimentar para a produção de cosméticos de cuidados da pele.

Sabe-se já que as antocianinas têm propriedades antioxidantes, estando o seu o seu consumo associado a benefícios para a saúde. O projeto liderado por Nuno Mateus pretende usar as antocianinas nas suas formas nativas (com cor vermelha) ou transformando-as quimicamente em derivados mais estáveis com outras cores atraentes (laranja, azul) e torná-los mais solúveis em ambientes com menos teor em água, aproveitando as suas propriedades e as suas características cromáticas para as incorporar em formulações cosméticas.

Por outro lado, este projeto tem a particularidade de introduzir uma nova abordagem de ensaios laboratoriais em produtos cosméticos, que tornam desnecessário a utilização de modelos animais. Os testes estão a ser conduzidos em modelos de pele humana monitorizados por um sistema elétrico não-invasivo – ECIS (Electric Cell-substrate Impedance Sensing) –, permitindo de um modo contínuo e em tempo real observar alguns efeitos como a preservação e regeneração celular da pele.

A ambição do ANTHO4SKIN é realizar o rastreio de um grande número de compostos e extratos naturais recuperados de subprodutos industriais, introduzindo-lhes valor acrescentado para novas aplicações, contribuindo deste modo para uma economia circular.