Primeiro-Ministro abriu discussão sobre o futuro do Ensino Superior

António Costa esteve presente na Sessão de Abertura desta Convenção do Ensino Superior 2030, dedicada ao tema da Valorização do Conhecimento.

A Reitoria da Universidade do Porto recebeu esta terça-feira a terceira sessão da Convenção do Ensino Superior 2030, a iniciativa do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) que a U.Porto organizou em parceria com as universidades do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro. Esta sessão, que teve como tema a “valorização do conhecimento”, contou com as participações do Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, entre muitos outros representantes de universidades e empresas nacionais

No discurso da Sessão de Abertura da convenção, António Costa abordou vários temas, desde a necessidade de “alargar a base de recrutamento do Ensino Superior” à proposta de eliminar barreiras na entrada aos alunos da via profissional, passando também pelo aumento do número de bolsas no âmbito da ação social e pela necessidade de reduzir o custo de frequentar o Ensino Superior.

Numa altura em que o Ensino Superior em Portugal se torna “mais competitivo a nível mundial”, o Primeiro-Ministro destacou “os rankings das nossas instituições”, mas, prosseguiu, “não há melhor indicador para isso do que o facto de hoje termos um Ensino Superior mais internacionalizado e mais atrativo para estudantes de todo o mundo”. Recorde-se que, por exemplo, a U.Porto bateu este ano o seu recorde de alunos internacionais, com cerca de 5600 a escolherem a Universidade do Porto para realizar um curso completo ou um período de mobilidade estudantil.

Para o chefe do Governo, a competitividade “vê-se também na forma como o sistema de inovação e investigação português consegue captar fundos do Horizonte 2020.” Ainda esta semana o CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto viu aprovadas as suas candidaturas ao programa Widening do Horizonte 2020, cujo financiamento global pode ascender aos 150 milhões de euros, o maior alguma vez atribuído a um centro de investigação português.

Sobre o tema da valorização do conhecimento científico, António Costa deixou a recomendação de que não haja “medo de promover uma estreita colaboração entre o Ensino Superior e as empresas”, apontando como exemplo o Programa Interface. Para 2030, já apontou uma meta: que a despesa em I&D corresponda a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Porque, “para que os jovens possam considerar uma carreira científica”, é importante “que esta seja atrativa” e que “haja empregabilidade” e que “o emprego científico seja digno”, devidamente financiado. António Costa defendeu que “não podemos nem queremos competir pelo baixo custo, temos de apostar numa economia do conhecimento, da ciência e da inovação.

Reitor defende “quadro mais favorável à atividade das universidades”

Reitor da U.Porto lembrou necessidade de criar condições favoráveis a universidades e empresas para implementação de uma economia do conhecimento em Portugal.

Antes do Primeiro-Ministro, já o Reitor da U.Porto, António de Sousa Pereira, definira a questão da valorização socioeconómica do conhecimento como “um tema caro à Universidade do Porto”, instituição “que tem desenvolvido um sério esforço de abertura à sociedade, de transferência de conhecimento para o tecido socioeconómico e de promoção do desenvolvimento local e regional.”

Um esforço que, para o Reitor, não tem tido eco a nível nacional. “O país ainda não conseguiu transformar em investimento, riqueza e emprego o potencial quer do seu capital humano, quer do conhecimento científico”, disse, lembrando que muito do conhecimento produzido na comunidade científica “não é ainda aplicado na capacitação do tecido empresarial”.

António de Sousa Pereira defende que um dos entraves que tem impedido a transferência de conhecimento são as “dificuldades no que respeita à conjugação de interesses entre universidades e empresas”, e concluiu exortando as  universidades e empresas a “assumir como desígnio nacional a adoção de um modelo económico baseado no conhecimento.”

Mas para que essa aspiração seja possível, “Portugal tem de criar um quadro mais favorável à atividade das universidades, estabilizar a legislação que lhes é aplicável e definir um novo modelo de financiamento para as instituições”, defendeu o Reitor da U.Porto.

António de Sousa Pereira recordou que “o investimento no Ensino Superior tem um impacto positivo no tecido regional, em particular nas economias locais”, pelo que seria necessário “atribuir às universidades dotações orçamentais condizentes com a sua importância no desenvolvimento do país”.

Ministro do Ensino Superior encerrou iniciativa do CRUP

Convenção contou com intervenções do Primeiro-Ministro e do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Presente na Convenção esteve também o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que, no discurso de encerramento do dia relembrou vários casos de sucesso na valorização do conhecimento no Porto e em Portugal. E colocou em evidência o que os une: são casos que se desenvolvem num contexto internacional, que envolvem “uma articulação crescente entre ensino e investigação e inovação”, e que surgem “associados à especialização e diversificação”. O ministro elencou também outros fatores que crê serem chave para o sucesso da valorização do conhecimento, como a internacionalização da base científica e do Ensino Superior, a articulação com a educação, a investigação e a inovação, assim como a especialização e diversificação da oferta de ensino superior. Sobre a criação de parcerias entre instituições de Ensino Superior e empresas, pediu que houvesse “corresponsabilização” no processo.

O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Fontainhas Fernandes, apresentou a Convenção do Ensino Superior no âmbito da necessidade de “perspetivar o futuro do país sobre o ponto de vista das três grandes transformações (…). a transformação do conhecimento, a transformação das instituições e sobre a transformação dos cidadãos e da sociedade.” Das várias sessões da Convenção que têm decorrido ao longo deste ano espera-se, prosseguiu, “uma nova agenda para o ensino superior para a década”, que contribua para “um país mais justo, mais qualificado, mais coeso” a nível social e territorial, num contexto mundial em mudança. Fontainhas Fernandes definiu as universidades como “um centro de conexão com tudo o que nos rodeia”, pelo que, em reflexo disso, a Convenção do Ensino Superior seja uma iniciativa aberta ao país e que ouve a sociedade, contando com o apoio de todos os seus setores.

A Convenção do Ensino Superior prosseguiu ao longo do dia, com painéis de debate dedicados aos temas “Desafios da valorização do conhecimento gerado nos centros de investigação”, “A relação das empresas com a universidade no processo de inovação” e “Os desafios da promoção do empreendedorismo.”

Recorde a convenção na íntegra: