Postura corporal na vida adulta pode ser detetável na infância

Investigadores do ISPUP concluíram que a infância é um período essencial para a definição do tipo de postura que se apresenta na adolescência e na vida adulta. (Foto: DR)

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), publicado na revista “Physical Therapy”, concluiu que a infância é um período essencial para a definição do tipo de postura que se apresenta na adolescência e na vida adulta.

Existem, nos adultos e nos adolescentes, quatro tipos de padrões posturais já definidos. Um tipo é considerado clinicamente mais favorável, porque é bem alinhado e equilibrado, e os outros três – chamados de não-neutros – são menos favoráveis, pois estão associados ao desenvolvimento de diferentes patologias na coluna.

O estudo consistia em “descobrir se esses quatro tipos de posturas já surgiam na infância e quão cedo é que esses diversos padrões se começavam a formar”, refere Fábio Araújo, primeiro autor do estudo.

A investigação, também assinada por Milton Severo, Nuno Alegrete, Laura Howe e Raquel Lucas, mostra que é possível identificar esses tipos de postura já na infância, aos 7 anos de idade.

“Nas crianças que avaliámos, identificámos os três padrões posturais não-neutros”, diz Fábio Araújo, referindo também que existem “claras diferenças entre rapazes e raparigas no tipo de padrões posturais apresentados”.

Nas raparigas, foi encontrada maior prevalência de uma tipologia de postura com curvaturas da coluna aumentadas (hiperlordótica). Os autores deduziram que, no sexo feminino, a postura clinicamente neutra, mais favorável, evoluirá a partir deste padrão postural.

Já nos rapazes, é precisamente o contrário. Apenas 5% possuem curvaturas da coluna aumentadas e prevalece a tipologia caracterizada por um deslocamento posterior da coluna relativamente aos membros inferiores. Assim sendo, julgam os investigadores, a postura considerada clinicamente favorável em adulto, evoluirá a partir deste padrão postural.

“Atingir o padrão postural neutro na vida adulta e na adolescência é o nosso grande objetivo. Com esta investigação, conseguimos demonstrar, pela primeira vez, que a infância é um período essencial para o desenho dessa neutralidade e, por isso, todas as intervenções para promover uma postura saudável têm que começar neste período precoce de vida”, refere o investigador do ISPUP.

O artigo intitulado “Defining Patterns of Sagital Standing Posture in Girls and Boys of School Age” avaliou a postura corporal de 1147 raparigas e de 1266 rapazes, com 7 anos de idade, pertencentes à Geração 21 – coorte que avalia o crescimento e desenvolvimento de mais de 8 mil crianças da cidade do Porto, desde o período do nascimento. A avaliação da postura decorreu de março de 2013 a fevereiro de 2014.

O estudo foi financiado por fundos provenientes da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), do Programa Operacional Saúde XXI e da Fundação Calouste Gulbenkian.