Ricardo Santos

Fazer nascer é a sua especialidade. Aos 38 anos de idade, Ricardo Santos já soma uma longa lista de crianças que ajudou a pôr no mundo. Médico ginecologista e obstetra por profissão e vocação, ligado ao diagnóstico e tratamento da infertilidade, é também investigador do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, onde tem desenvolvido os seus estudos na área do crescimento fetal.

Foi recentemente notícia após ter desenvolvido novas curvas de percentis para as crianças portuguesas, bem como uma aplicação que visa ajudar pais e profissionais de saúde. Os resultados foram publicados no European Journal of Obstetrics & Gynecology, um dos jornais científicos mais prestigiados a nível mundial, e está já a fazer a diferença.

Licenciado em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da U.Porto (ICBAS), com Mestrado em Informática Médica e Doutoramento em Investigação Clínica e Serviços de Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (PDICSS), Ricardo Santos é atualmente investigador do grupo In4Health, do CINTESIS, e docente convidado no Mestrado de Informática Médica no Departamento de Ciências da Informação e Decisão em Saúde da FMUP.

Casado e pai de dois filhos, procura ser “um bom cidadão, médico, marido e pai” e assume-se como “engenhocas nas horas vagas”. Quando não está a investigar, a dar aulas ou a exercer a sua atividade clínica no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, escreve no seu website sobre as “aventuras paralelas ao trabalho do dia a dia”, que lhe permitem ser “melhor profissional”. São “coisas de médico” (porque “o médico que só sabe de medicina nem medicina sabe”), como, por exemplo, instruções para construir uma “casa na árvore” ou como imprimir tudo e mais alguma coisa numa impressora 3D. Um objetivo de vida? “Deixar saudades”.

Naturalidade? Massarelos, Porto, Portugal

Idade? 38 anos

De que mais gosta na Universidade do Porto?

Tradição académica.

De que menos gosta na Universidade do Porto? 

A separação geográfica dos polos académicos.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Alargamento de parcerias com outras instituições, nomeadamente outros hospitais, de forma a alargar a rede para identificar e desenvolver boas mentes.

Como prefere passar os tempos livres?

A construir coisas. Carpintaria, eletrónica, eletricidade, domótica, mecânica… Com ferro de soldar, serra circular, chave de impacto ou impressão 3D já depende do projeto.

Um livro preferido?

Uma saga: A Song of Ice and Fire, por George R. R. Martin.

Um disco/músico preferido?

Nevermind/Nirvana.

Um prato preferido?

Francesinha.

Um filme preferido?

Terminator 2: Judgment Day.

Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Antiga Route 66, costa a costa dos EUA. Por realizar…

Um objetivo de vida?

Deixar saudade quando a vida acabar.

Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Leonardo da Vinci. Poucas pessoas impulsionaram a humanidade em tantas áreas simultaneamente.

O projeto da sua vida…

Educar os meus filhos para serem seres humanos melhores do que eu em todos os aspetos.

O que falta fazer pela investigação e em cuidados de saúde em Portugal?

A colaboração institucional facilitada, a recolha e partilha de dados de saúde de qualidade. O incentivo à boa investigação através de programas que captem médicos e outros profissionais que se vejam profissionalmente valorizados com o seu esforço, ao invés de contarem apenas com o seu próprio entusiasmo académico e clínico.