Pedro Seabra

Quando, no passado dia 10 de agosto, soou em Guimarães o último apito da final do Campeonato do Mundo Universitário de Andebol 2014, Pedro Seabra (eleito o melhor jogador em prova) experimentou uma sensação especial. Mais até do que a que viveu com os muitos títulos e golos acumulados ao longo da carreira. “Esta competição foi muito especial para mim, sobretudo porque juntava as duas grandes ocupações da minha vida: profissional de andebol e estudante de medicina”, resume aquele que é um dos mais promissores andebolistas portugueses da atualidade e que, diariamente, veste a bata de estudante da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Natural de Aveiro, Pedro Seabra começou a jogar andebol com 7 anos de idade no Centro Desportivo de São Bernardo (APedro Seabra (Pessoa)veiro). O mundo da Medicina abrir-se-ia em 2008, quando ingressou na FMUP. Mas o andebol tinha outros planos. Após 12 anos no São Bernardo, um convite do Sporting Clube de Portugal obrigou a uma mudança para a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Seria, porém, por pouco tempo. Em 2011 regressa ao Norte para representar o ABC de Braga e para (re) ingressar na U.Porto, onde está a iniciar o 6º último ano do curso de Medicina.

Com mais de 100 internacionalizações por Portugal nos diferentes escalões etários, o hoje finalista da FMUP foi capitão das diferentes seleções nacionais desde sub-15 até sub-21. Pelo caminho foi três vezes campeão nacional de juniores Masculinos, venceu uma taça Challenge pelo SCP (2011), foi finalista da taça de Portugal em 2014 e em 2010 e, enquanto estudante da U.Porto, ajudou Portugal a conquistar uma medalha de prata (Brasil, 2012) e uma de ouro (Guimarães, 2014) em mundiais universitários. A nível individual, regista, entre muitos outros prémios, uma nomeação para melhor jogador do Campeonato nacional de Seniores Masculinos época 2013/2014.

Feitas as contas, o que vale mais? A vibração dos pavilhões ou a adrenalina da medicina? “São ambas tão importantes para mim que não fui até agora capaz de colocar uma à frente da outra, e por isso tenho feito sempre o esforço de conciliar as atividades, o que exige bastante trabalho e dedicação”, destaca Pedro Seabra.  O Mundial Universitário 2014 foi a prova disso: “Foi precisamente essa minha decisão que possibilitou a minha participação, que me possibilitou viver estes momentos únicos que jamais esquecerei. Sinto-me privilegiado por ter feito parte desta conquista, ainda para mais sendo capitão de um grupo fantástico, em que a união e a amizade eram os nossos pontos fortes”, remata.

– Idade?

24 anos.

– Naturalidade?

Aveiro.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Da aposta que vem fazendo na investigação e do facto de concentrar bastantes faculdades no polo universitário.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

A falta de articulação entre faculdades.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Promover cada vez mais a partilha de métodos e ferramentas de trabalho entre faculdades.

– Como prefere passar os tempos livres?

Estar com os amigos e viajar.

– Um disco/músico preferido?

Coldplay.

– Um prato preferido?

Carne À irlandesa.

– Um filme preferido?

Diamante de Sangue.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Califórnia.

– Um objetivo de vida?

Sentir-me realizado nas diversas vertentes, profissional (em ambas as atividades) e pessoalmente.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Dereck Redmond, durante a prova dos 400 metros nos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992.

– Um ídolo no desporto?

Roger Federer (tenista) e Ivano Balic (andebolista).

– Um sonho que gostaria de realizar enquanto atleta?

Jogar a Liga dos Campeões e participar nuns Jogo Olímpicos / Universíadas.

  • paula quelhas

    Parabéns por conseguir conciliar o estudo com o desporto.

    Parabéns por não ter deixado de praticar desporto depois de entrar na Faculdade de Medicina.

    A maioria dos casos que conheço, só são desportistas até ao 12º ano ingressando nas faculdades ( onde a média de acesso é muito alta) com o estatuto da alta competição mas depois deixam de o praticar.

    Conheço casos quer na Medicina quer na Engenharia ( e deverá haver muitos mais)!!!