Pedro Figueira

De cabelo espetado e sempre com um sorriso nos lábios, Pedro Figueira aparenta ser mais jovem do que os seus recém-concluídos 30 anos deixam antever. No entanto, tem já um palmarés de relevo, onde se destacam 30 artigos publicados em revistas científicas de referência no campo da Astrofísica. O último, publicado na prestigiada revista Nature, descreve o trabalho da equipa internacional – que integra enquanto investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) –  que determinou a massa e o diâmetro do Kepler-78b, o primeiro exoplaneta descoberto a apresentar uma composição semelhante à da Terra.

Foi o gosto por perceber como funciona o mundo à sua volta que, ainda em pequeno, levou Pedro Figueira a seguir a vocação da astronomia. Começou por cumpri-la no curso de Física da Universidade de Lisboa, onde teve “a oportunidade de ver o que era a astronomia desde o lado de dentro, e experimentar o que era fazer ciência”. Foi também aí que descobriu os Planetas Extrasolares (planetas que orbitam fora do sistema solar), tema que explora atualmente como investigador de post-doc no CAUPm onde trabalha em instrumentação de ponta e analise de dados necessária para detetar planetas extrasolares “escondidos” no universo.

Para “viajar” pelos confins do universo, o investigador conta com o “excesso de energia” que diz ter, mas também com a inspiração que retira “de estar desastrosamente errado”. Isto apesar de, a maior parte das vezes, parecer estar certo. Por entre “os trabalhos mais técnicos, com palavreado inenarrável e gráficos complicados” em que já participou, destaca-se a participação na equipa que tirou as medidas ao Kepler-78b, um planeta com massa, raio e densidades semelhante à da Terra. Por cumprir está ainda o sonho de descobrir o “planeta gémeo da Terra”…

Naturalidade?

Serpa

Idade?

30

– De que mais / menos gosta na Universidade do Porto?

É-me difícil responder o que mais ou menos gosto na Universidade do Porto. É uma Universidade na qual gosto de trabalhar, e em particular considero o ambiente do Centro de Astrofísica, onde trabalho, bastante dinâmico e agradável.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

A propor uma alteração, escolheria certamente investir mais energia em fixar os investigadores e tornar a Universidade do Porto uma universidade de excelência a nível do panorama da investigação a nível internacional.

– Como prefere passar os tempos livres?

Exercício Físico, Música, Dança, Board Games e Leitura. Uma semana em que descure um destes pontos sabe-me a pouco – e pode parecer que tenho muito tempo livre, mas na verdade o que tenho é excesso de energia. =)

– Um livro preferido?

“The Dispossessed”, Ursula Le Guin

– Um disco/músico preferido?

“Dream Theater”, Scenes from a Memory

– Um prato preferido?

Se puder escolher uma bebida, será o café. Um prato será bem mais difícil.

– Um filme preferido?

Revolver, Apocalipse Now, Mononoke Princess… tantos.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Tento fazê-las todas. A próxima é ao Hawaii.

– Um objetivo de vida?

Hesito em escrever umas quantas linhas a mostrar a minha falta de respeito pelo conceito de objetivo de vida, mas iam chamar-me de nihilista, ou pior. Talvez muito simplesmente o meu objectivo seja ser feliz, deixando o mundo um pouco melhor do que o encontrei.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Estar errado; desastrosamente errado. Temos que perceber que a ciência que fazemos pode ter toda a nossa energia e dedicação, mas pura e simplesmente podemos ter escolhido apostar no cavalo errado, e ver o nosso trabalho em ruínas de uma hora para a outra. E não faz mal; não podemos estar nisto pela palmadinha no ombro, pela autocongratulação. Temos que estar nisto pela Ciência em si. “The truth will set you free — but first it will piss you off.”

– Uma descoberta que gostasse de fazer?

O planeta gémeo da Terra, claro. Um planeta com massa muito semelhante ao do nosso planeta, a orbitar uma estrela com uma temperatura próxima do Sol numa orbita tal que permite a existência de água à superfície no estado líquido. E aposto que o vamos fazer até 2020. Mark my words!