Manuel Gonçalves-Pinho

Manuel Gonçalves Pinho tem apenas 23 anos de idade e é já um dos jovens talentos do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, Unidade de I&D da Universidade do Porto. A concluir o 5º ano de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), o estudante/investigador conta já no seu currículo com um vasto trabalho como investigador e assistente voluntário do MEDCIDS -Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde da FMUP. Foi um dos autores de um estudo do CINTESIS sobre o aborto, no qual mostra a evolução das hospitalizações por interrupção da gravidez.

Em 2017, venceu o Prémio de Melhor Póster, no âmbito do In4Med – Coimbra’s Scientific and Medical Congress, pelo trabalho intitulado “Why, how and when are patients with chromossomal anomalies hospitalized?”. Na calha está a publicação de um artigo sobre as causas das hospitalizações por perturbações do comportamento alimentar (anorexia e bulimia) em Portugal. Entretanto, o investigador está a avançar com a análise das hospitalizações por tosse convulsa na criança e no adulto, de modo a recolher dados como causas, características demográficas e custos da patologia.Sobre a sua investigação, afirma: “As pessoas pensam que analisar bases de dados que é algo muito maçador, muito aborrecido, que só os informáticos fazem isso, mas não. As bases de dados permitem-nos ter uma visão mais global e um certo distanciamento, permitindo-nos tirar ilações e consequências na prática”.

Manuel Gonçalves-Pinho é ainda fundador da revista Porto Biomedical Journal, fazendo parte do conselho de administração. Esteve recentemente na Dinamarca, integrado num programa de intercâmbio científico, a estudar a relação entre a narcolepsia e o olfato. A divulgação dos resultados está para breve. “Foi uma experiência interessante porque me permitiu ter contacto uma outra mentalidade. Muitas vezes temos um complexo de inferioridade em relação aos nórdicos e é precisamente o oposto; eles admiram a nossa capacidade de trabalho”. Depois da Dinamarca, esteve a fazer Erasmus na República Checa, durante um semestre, experiência da qual também recolheu ensinamentos valiosos.

Quanto ao futuro, quer ser médico (Medicina Geral e Familiar e Infeciologia são áreas de que gosta particularmente), continuar a dar aulas e a investigar, sem esquecer que há mais vida para além da Medicina.

Naturalidade? Santo Ildefonso, no Porto

Idade? 23 anos

De que mais gosta na Universidade do Porto?

O que mais gosto na Universidade do Porto é da abertura que existe para quem quer fazer investigação e a possibilidade de docência.

De que menos gosta na Universidade do Porto?

Existe ainda um certo bairrismo académico que não é de todo positivo. É mesmo muito negativo. Muitas vezes, há quase um obstáculo à colaboração entre as várias instituições da própria Universidade. É algo que prejudica quem quer trabalhar e quer fazer investigação.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Deveria haver uma maior valorização e reconhecimento dos docentes voluntários. As pessoas não têm noção do papel que os docentes universitários representam na capacidade pedagógica. Eu tenho a vantagem de ser reconhecido no meu Departamento e é por isso que eu continuo a ser docente, mas sei que há colegas que não têm a mesma sorte que eu. Penso que é algo a melhorar.

Como prefere passar os tempos livres?

Gosto muito de escrever poesia. É o meu antipsicótico. Preciso mesmo de escrever. Sempre fui assim, desde que me lembro. Essa é uma área que quero explorar. A música é outra paixão. Andei no Conservatório até ao 7º grau, em viola clássica. Sou um amante da música. Continuo a tocar, de vez em quando.

Um livro preferido?

O livro que me marcou mais foi “O Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. Li-o com 15 anos e marcou-me brutalmente. Também gostei muito do “Olhai os Lírios do Campo”, de Érico Veríssimo, que é a história de um estudante de Medicina. Aconselho sempre os mais novos que vêm para Medicina a lerem esse livro.

Um disco/músico preferido?

No tango, ninguém me tira o Astor Piazzolla. Na guitarra clássica, Heitor Villa-Lobos Gostou muito de Johannes Brahms e de Mozart.

Um prato preferido?

Qualquer coisa que a minha mãe confecione.

Um filme preferido?

Um que me marcou foi “The Lobster” porque aborda a perceção que nós temos do outro. É muito interessante. Aconselho.

Uma viagem de sonho?

Gostava de fazer uma viagem por vários países do Oriente, pela diferença cultural.

Projeto de vida?

O meu objetivo é fazer algo que me realize, quero ser feliz a fazer aquilo de que eu gosto, como médico, investigador e professor.

Uma inspiração?

A minha inspiração vai ser sempre a minha mãe, pela sua capacidade de perseverança.

Uma ideia para promover uma maior ligação entre a Universidade e a comunidade?

A Universidade do Porto tem procurado promover essa ligação, mas diria que apostar na investigação é uma boa forma de melhorar a vida das pessoas.