João Coimbra

Nascido em Luanda em 1943 e tendo passado a sua infância e adolescência em Lourenço Marques (atual Maputo), João Coimbra cedo desenvolveu um fascínio particular pela Biologia Marinha, influenciado pela riqueza da fauna e da flora locais, o que o levou a fundar em 2000 o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), no qual foi Presidente da Direção durante 12 anos consecutivos.

Licenciado em Biologia pela Universidade de Coimbra em 1968, João Coimbra doutorou-se em Ciências pela Universidade de Nice (França) em 1972, após ter estagiado no Centro de Bioquímica da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e no Comissariado da Energia Atómica Francês. Os seus interesses de investigação centram-se na Fisiologia Comparativa, nomeadamente em projetos que visam alargar as bases fisiológicas da Aquacultura e das migrações dos peixes, e a resposta dos animais aquáticos aos poluentes. É autor de quase uma centena de publicações, das quais 70 em revistas internacionais. Foi Presidente do Conselho Interuniversitário de Biologia, Vice-Presidente da Ordem dos Biólogos e Professor Catedrático de Fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS), onde lecionou desde 1975.

A sua atividade mais intensa tem sido na área de Gestão de Ciência e Tecnologia, tendo sido Presidente da Comissão de Especialidade das Ciências e Tecnologias do Mar da JNICT, membro do Conselho Científico da FCT, membro da Comissão Estratégica dos Oceanos, membro do Conselho Consultivo da Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (onde foi ponto focal do Ministério da Ciência e Tecnologia), membro da Comissão Científica para a Delimitação da Plataforma Continental e ainda, regularmente, delegado nacional aos Programas Quadro da Comissão Europeia nas áreas do Mar e Ambiente (desde 1994) e à Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO.

João Coimbra é atualmente Presidente da Mesa da Assembleia Geral do CIIMAR, Vice-presidente do Cluster do Conhecimento e Economia do Mar – Oceano XXI, Presidente da Direção do IDCEM – Instituto para o Desenvolvimento do Conhecimento e da Economia do Mar e Delegado Nacional do 7º Programa Quadro da Comissão Europeia na área do Ambiente.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

A sua integração na cidade e na região.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da dificuldade que tem havido em integrar o “centro” (faculdades e departamentos) com a “periferia” (centros e institutos de investigação, incubadoras de empresas, etc…), mantendo-se uma gestão completamente disjunta.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Criação de polos interdisciplinares orientados para áreas específicas do desenvolvimento económico e social, permitindo uma maior articulação entre as diversas componentes (unidades orgânicas e estruturas de interface).

Como prefere passar os seus tempos livres?

Em família, com escapadelas à Fnac.

Um autor preferido?

Os autores que mais me marcaram nos últimos anos foram os Toffler (Alvim e Heidi). Li todos os seus livros. Fornecem um instrumento notável de interpretação da evolução da sociedade com base na alteração da nossa forma de produzir riqueza. Se tivesse que escolher um dos livros, escolheria o primeiro “O choque do futuro” onde aparecem pela primeira vez as ideias chave posteriormente desenvolvidas na “Terceira Vaga”, “Os Novos Poderes” e na “Revolução da Riqueza”.

– Um disco/músico preferido?

Ao longo da vida fui naturalmente tendo as minhas músicas e compositores/grupos preferidos. Para “jogar em casa” vou apenas referir os GNR e destes a música “A Pronúncia do Norte”.

– Um prato preferido?

Cozido à portuguesa.

– Um filme preferido?

Nos últimos anos não tenho ido muito ao cinema. Enquanto vivi em Coimbra era sócio do Cineclube e tive ocasião de ver a maioria dos clássicos. Mais recentemente gostei dos primeiros filmes do Woody Allen, mas curiosamente o filme que me recordo de ter visto mais vezes e com agrado foi o “West Side Story”. Dos portugueses, apesar da força do cinema atual, continuo a ser tocado pela ternura do “Aniki Bóbó”, a primeira grande metragem de Manuel de Oliveira.

– Uma viagem de sonho realizada?

Taiwan, Hong Kong e Macau em 1991 com a minha primeira descoberta do Oriente.

– Um objetivo de vida?

Nesta altura da vida e agora mais liberto de funções executivas, o meu maior objetivo é realizar alguns sonhos que foram sendo adiados por uma atividade profissional muito intensa.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Nelson Mandela.

– Um desejo para a investigação em Portugal?

Que não se afaste do caminho iniciado há três décadas e que tendo embora um rosto mais visível – Mariano Gago – acabou por refletir um grande consenso nacional (talvez o único).