Joana Paredes

Nos últimos 10 anos, a investigação desenvolvida por Joana Paredes tem-se focado essencialmente na identificação de novos biomarcadores e alvos terapêuticos em cancro da mama. Foi esta busca por algo que permita melhorar o prognóstico e o tratamento das doentes com este diagnóstico que levou a investigadora ser uma das vencedoras da edição 2014 das Bolsa Laço, no valor de 25 mil euros.

Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, cidade de onde é natural, Joana Paredes iniciou o seu percurso na U.Porto no ano 2000, com o Doutoramento em Biologia Humana pela Faculdade de Medicina. Acabaria por ficar na Universidade, que destaca como “um grande “produtor” de Ciência no nosso país”, onde é atualmente investigadora principal na área da Genética de Tumores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP).

O projeto da equipa de investigação que a investigadora lidera no Ipatimup propõe-se a validar a utilização de um fármaco, já aprovado pela FDA para o tratamento de outras neoplasias, no tratamento do cancro da mama “triplo-negativo”. Esta forma da doença tem um elevado interesse do ponto de vista clínico, uma vez que não possuem nenhum dos alvos moleculares já validados e utilizados no tratamento desta neoplasia.

O trabalho desenvolvido por Joana Paredes já foi publicado em revistas de elevado fator de impacto na área da Oncobiologia, como a “Cancer Research”, “Oncogene”, “Clinical Cancer Research”, “Breast Cancer Research”, ou “Stem Cells” e conta, ainda, com 50 publicações em revistas internacionais com peer review.

– Naturalidade?

Coimbra.

– Idade

36   anos.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Da sua qualidade, mérito e excelência. Tenho muito orgulho em pertencer a uma instituição que tem sido sistematicamente bem classificada nos mais importantes rankings internacionais de Ensino e Investigação Científica, colocando a Universidade do Porto entre as 350 melhores universidades do mundo e uma das 100 melhores universidades da Europa. Na minha opinião, a Universidade do Porto é um grande “produtor” de Ciência no nosso país.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da burocracia: tenho a sensação que passamos muito tempo a preencher papéis. Também tenho pena que as diversas Unidades Orgânicas não estejam mais próximas fisicamente, pois isso facilitaria a colaboração e a constituição de parcerias multidisciplinares.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

Desburocratizar, assim como criar canais que promovam a colaboração entre as diferentes Unidades Orgânicas da UP, difundindo as suas diferentes competências. A UP deveria ainda promover a estabilidade da carreira profissional dos seus investigadores e docentes.

– Como prefere passar os tempos livres?

Adoro viajar, de preferência com o meu marido e com o meu filhote. Ou então na companhia da minha família mais próxima ou de bons amigos.

– Um livro preferido?

“O Principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry, e a “A Lua de Joana”, de Maria Teresa Maia Gonzalez. Coloco os dois, pois não consigo escolher um deles. Apesar de muito diferentes, foram ambos lidos na minha adolescência. Acho que me marcaram pela capacidade que têm de nos lembrar que muitas vezes relegamos para segundo plano aquilo que realmente é importante na vida.

– Um disco/músico preferido?

Esta resposta é muito difícil, pois são vários. Assim de repente, destaco Rodrigo Leão, The Gift, U2, Keane e Ludovico Einaudi.

– Um prato preferido?

Adoro comer, mas consigo eleger arroz de marisco, com muitos coentros!

– Um filme preferido?

Adoro qualquer filme que me faça sentir algo, seja porque me faz rir ou chorar muito! Mas têm que ser histórias muito reais, pois odeio filmes de ficção! Normalmente prefiro os que me fazem chorar, tipo a “A Vida é Bela”, dirigido e protagonizado por Roberto Benigni, ou “Mar Adentro”, com Javier Barden no papel de Ramón Sampedro. Lindos pela sua força e emotividade.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)? 

Qualquer viagem a um local que eu não conheça é sempre uma viagem de sonho, por isso ainda tenho muitas por realizar! Realizadas, acho que posso escolher a que fiz ao Brasil (Jericoacara). Por realizar, adorava ir à Polinésia Francesa ou ao Hawai! Dá para perceber que adoro sol e praia, não?

– Um objetivo de vida?

Ser feliz e ajudar os outros a serem felizes! A vida faz mais sentido se nos sentirmos bem connosco e com aqueles que nos rodeiam. Como mãe, filha e companheira, tento ser o mais presente e atenta possível, pois ambiciono construir uma família sólida. Às vezes falho… mas pelo menos tento! Apesar de simples, este é de facto o meu grande objetivo de vida.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Os meus pais. Não tenho palavras para descrever o que significam para mim. Espero conseguir passar ao meu filho todos os valores que os meus pais me transmitiram, pois sei que isso fará dele uma pessoa melhor. São duas pessoas extraordinárias, que me inspiram pela capacidade que têm de serem tão altruístas e maravilhosos.

– Uma descoberta que gostasse de fazer?

Profissionalmente, gostava de conseguir descobrir algo, mesmo que pequeno, que permitisse melhorar o prognóstico e tratamento das doentes com cancro da mama. É com esse objetivo que trabalho todos os dias.

– Uma ideia para promover a investigação da U.Porto além-fronteiras?

Assegurar o pagamento de publicações em revistas com elevado fator de impacto, caso estas sejam aceites para publicação.