Isabel Soares-Silva

Aos 36 anos, Isabel Soares-Silva já faz parte de uma pequena “elite” da ciência europeia. Ao ver o seu projeto ”Establishment of an in vitro model system for the study of biofilm formation in haemodialysis tunneled catheters” distinguido com um dos Research Grant Awards 2014 atribuídos pela prestigiada European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID), esta investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) garantiu um lugar entre os treze cientistas europeus agraciados este ano pela ESCMID.

A licenciatura em Biologia Aplicada permitiu-lhe descobrir o interesse pela área da microbiologia molecular, o que a levou a doutorar-se em Ciências Biológicas na Universidade do Minho. Atualmente, Isabel é investigadora no departamento de Doenças Renais, Urológicas e Infecciosas da FMUP  onde desenvolve o projeto premiado. Para além disso, faz investigação no Serviço de Nefrologia do Hospital de São João (HSJ).

O trabalho da cientista tem como principal enfoque a doença renal crónica, em específico as infeções relacionadas com a utilização de cateteres. Assim, Isabel alavanca aquele que define como o seu objetivo profissional: dar “o melhor contributo possível para o avanço da ciência”.

Fora dos laboratórios, a cientista elege as viagens e os passeios com a família como as melhores formas de passar o tempo, não esquecendo uma boa refeição de comida tradicional portuguesa. Por fim, afirma que as mulheres e mães que conciliam uma vida profissional de sucesso com uma vida pessoal harmoniosa constituem a sua fonte de inspiração.

Naturalidade?

Braga.

Idade?

36 anos.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Apesar de só pertencer à Universidade do Porto há 4 anos, considero tratar-se de uma universidade muito dinâmica e multidisciplinar, promotora do empreendedorismo.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Dada a sua dimensão, torna-se, por vezes, complicado obter uma visão global de tudo o que se faz na Universidade e das sinergias que daí poderão resultar.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Ter um melhor sistema para divulgar eventos científicos a decorrer na U.Porto.

– Como prefere passar os tempos livres?

A passear com a minha família, preferencialmente a descobrir novos lugares.

– Um livro preferido?

Não posso dizer que tenha um livro favorito. Sempre gostei de ler, apesar de, hoje em dia, ter menos tempo disponível. O policial é um dos géneros que me atrai bastante. Neste momento, estou a ler Retrato de uma espia, do Daniel Silva, e A Sentinela, de Richard Zimler.

– Um disco/músico preferido?

Jeff Buckley foi um músico que me marcou.

– Um prato preferido? 

Aprecio bastante a comida tradicional portuguesa: arroz de pato, papas de sarrabulho, bacalhau à narcisa. No entanto, também me agrada a comida internacional e fiquei fã da gastronomia grega, quando passei uma temporada em Atenas, como investigadora.

– Um filme preferido?

“As Pontes de Madison County”.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Comecei a viajar mais frequentemente quando iniciei o meu doutoramento e, desde então, o gosto por descobrir novos lugares estabeleceu-se. Uma das viagens que gostaria de fazer era um safari, para experienciar de perto a savana africana.

– Um objetivo de vida?

A nível pessoal, tentar ser uma boa mãe e fazer com que as minhas filhas se tornem pessoas felizes e realizadas. Profissionalmente, dar o melhor contributo possível para o avanço da ciência, seja esta básica ou mais aplicada.

 – Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Não querendo particularizar, todas as mulheres/mães que conseguem conciliar uma vida profissional de sucesso com uma vida pessoal harmoniosa.

Uma descoberta que gostasse de fazer?

Acho que, como todas as pessoas que trabalham nesta área, gostaria de fazer uma descoberta que contribuísse directa ou indirectamente para melhorar o bem estar dos doentes.

– Uma ideia para promover a investigação da U.Porto além-fronteiras?

A divulgação da investigação a nível internacional é fruto da sua qualidade. Considero que a U.Porto deveria apostar ainda mais na investigação, promovendo, por exemplo, a contratação de investigadores de qualidade, assim como apoiando os centros de investigação já existentes.