Inês Moreira

Inês Moreira é investigadora do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, estudante de doutoramento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), mas também trabalha num hospital, dá aulas e é mãe. Em outubro, foi distinguida com o Prémio MED.IDEAS, promovido pelo NORTEXCEL – Centro de Excelência em Tecnologias Médicas, na área do Cancro, galardão – no valor de 5 mil euros – que reconhece o trabalho da investigadora no desenvolvimento de uma ferramenta 3D – a Mammo3D  – que pretende dar um importante contributo para otimizar a cirurgia conservadora do cancro da mama.

A experiência na área vem de trás. Inês Moreira é técnica de Radiologia no Centro de Mama no Centro Hospitalar de São João desde 2008, o mesmo ano em que começou a dar aulas de Anatomia na área técnico-científica de Ciências Morfológicas na Escola Superior de Saúde do Porto, onde concluiu a licenciatura, a par da sua atividade na Tuna Feminina (TeSuna) com o curso de Formação Musical no Conservatório de Música do Porto. Não encontrou logo trabalho e decidiu virar-se para o mundo da música.

Foi professora de Atividades extracurriculares (AEC) nas escolas de Gondomar até 2008. Uns anos mais tarde viria a criar “Os Coralitos”, um coro infantojuvenil, na sua freguesia natal, São Pedro da Cova, onde se manteve ao longo de três anos. Continua a tocar guitarra e violino e a dar aulas particulares, mas o seu maior fã é mesmo o filho, atualmente com dois anos de idade.

Como técnica, é ela quem faz a mamografia de diagnóstico e complementar, bem como a radiografia das peças operatórias, além de auxiliar nas biópsias guiadas por Raios X. Em Portugal realizam-se anualmente mais de 250 mil mamografias, um exame essencial para detetar lesões, de preferência numa fase inicial, e permitir um diagnóstico tão precoce quanto possível. Confessa que a responsabilidade de quem realiza o exame é imensa. É ter a vida de outras mãos nas mãos, literalmente falando, é ter de lidar com a ansiedade e com a fragilidade dos doentes num momento especialmente difícil, algo que requer sensibilidade e capacidade de diálogo.

Como estudante e investigadora, a música é outra. Começou a fazer investigação no INESC TEC em 2009, com trabalho realizado numa base de dados de imagens de mamografia para criação de processos automáticos de deteção das lesões. Entre 2010 e 2012, frequentou o MIM – Mestrado em Informática Médica da FMUP, tendo desenvolvido o Curso de e-learning de Radiologia Mamária, que lhe valeu uma menção honrosa no Prémio PAPRE – Prémio Inovação Pedagógica em Ensino a Distância. Em 2015, decidiu regressar às salas de aula, desta vez como estudante de doutoramento do PDICSS – Programa Doutoral em Investigação Clínica e em Serviços de Saúde, também do MEDCIDS/FMUP.

No CINTESIS diz ter encontrado o ambiente ideal para fazer a sua investigação numa área que pode, realmente, fazer a diferença entre a vida e a morte (quatro mulheres morrem diariamente devido ao cancro da mama) e na qual quer continuar a colocar o melhor de si.

– Naturalidade? São Pedro da Cova, Gondomar

– Idade? 34 anos

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Como investigadora e aluna, gosto das pessoas e da multidisciplinaridade que encontro na Universidade do Porto. As pessoas são muito acessíveis, abertas a novas ideias e a colaborações.

– De que gosta menos na Universidade do Porto?

Da burocratização e do processo das autorizações.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Desburocratizar.

– Como prefere passar os tempos livres?

Não é muito, mas gosto de passar em família ou com amigos. Gosto de cinema, de séries, de fotografia, de fazer geocaching, de caminhar e de fazer trilhos. Gosto também de ouvir novas bandas e explorar novos estilos musicais.

– Um livro preferido?

Gostei muito do Louco, do Khalil Gibran. Gosto de livros que ajudem a refletir. Acho que refletimos pouco.

– Um filme preferido?

Gosto muito de cinema! Tenho muitos filmes preferidos, como o “Lion”, Garth Davis, e “A Vida de Pi”, de Ang Lee, e “O Estranho Caso de Benjamin Button”, de David Fincher.

– Um disco ou cantor preferido?

OK Computer, dos Radiohead.

Um prato preferido?

Não sou muito extravagante. Gosto de comida portuguesa e de tudo o que a minha mãe cozinha.

– Uma viagem de sonho?

Gostava de ir à Nova Zelândia, Austrália, Islândia e Escócia. Esses destinos estão no topo da minha lista de países a visitar.

– Uma inspiração?

Inspiro-me muito numa frase de Fernando Pessoa: “Põe quanto és no mínimo que fazes!” Também gostava muito de fazer voluntariado num país mais carenciado. Queria ter ido quando estudava, mas não foi possível e agora não se quando terei oportunidade.

– Um objetivo de vida?

Neste momento, é acabar o doutoramento e, como sempre, tentar ser feliz.