Flávio Cruz

Se tivesse uma lâmpada mágica, Flávio Cruz  desejaria descobrir a cura para o cancro. Em vez disso, quis o destino que fossem os computadores a marcar o percurso desde estudante do programa doutoral em Informática (MAPi) lecionado pela Universidade do Porto e pela Carnegie Mellon University (CMU), no âmbito do programa Carnegie Mellon | Portugal, e vencedor do Best Paper Award na 30th International Conference on Logic Programming (ICLP 2014), evento de referência mundial no campo da  investigação em programação lógica.

Depois de ter completado o Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação  na Faculdade de Engenharia da U.Porto (2005-2010), Flávio Cruz entrou em 2010/2011 no MAPi (programa lecionado pelas universidades do Minho, Aveiro e Porto – através da Faculdade de Ciências e da FEUP – em parceria com a CMU). Foi aí que “descobriu” a a LM (Linear Meld) – , uma nova linguagem de programação lógica que visa resolver problemas que podem ser especificados na forma de grafos. 

No artigo premiado em julho passado, intitulado “A Linear Logic Programming Language for Concurrent Programming over Graph Structures”, o estudante da U.Porto e investigador do Centro de Investigação em Sistemas Computacionais Avançados (CRACS) do INESC TEC mostra como a nova linguagem pode “tirar proveito de vários computadores, a fim de reduzir o tempo que leva para resolver os problemas”. Também por isso, o prémio agora recebido “significa muito, porque é o culminar de alguns anos de trabalho”.

Idade?

27 anos.

Naturalidade?

Bodiosa, Viseu.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

A qualidade do ensino e dos professores. Penso que temos um ensino que não fica muito a dever às universidades de topo americanas.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Os vários campus estão muito dispersos pela cidade. Penso que existe algum paroquialismo nas varias faculdades e departamentos.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

É preciso apostar nos melhores alunos e aumentar a exigência nos cursos. Há alguns alunos que não deveriam estar no ensino superior. Para resolver esta situação, sugiro que se diminuam as vagas de alguns cursos.

– Como prefere passar os tempos livres?

Ir ao ginásio ou ficar em casa.

5 – Um livro preferido?

“Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid” do Douglas Hofstadter.

– Um disco/músico preferido?

O album “Electric Sky Church Music” do músico BT.

– Um prato preferido?

Provavelmente a francesinha.

– Um filme preferido?

Dark City (1997).

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Já gostei mais de viajar, agora a melhor viagem que faço é quando regresso a minha terra de origem.

– Um objetivo de vida?

Criar um familia relativamente numerosa.

– Uma inspiração?

O meu pai, pelo seu espirito de trabalho.

– Uma ideia para aumentar a visibilidade da investigação portuguesa no exterior?

Precisamos de mais investimento publico e privado na investigação que se faz em Portugal. É também preciso dar mais condições aos investigadores e principalmente aos estudantes de doutoramento, porque penso que já temos pessoas muito capazes.

– A descoberta científica dos seus sonhos?

Descobrir a cura para o cancro, mas penso que estou na area errada para fazer isso…