Ester Alves

(Foto: DR)

Conta a lenda que a maratona surgiu como uma espécie de homenagem a um antigo soldado de Atenas, que teria percorrido 40 quilómetros para anunciar à sua cidade a vitória numa batalha. Se o marco de completar uma corrida tão exigente continua a ser alvo de reconhecimento nos dias de hoje, o que dizer de quem completa 250 quilómetros no espaço de uma semana?

“Uma brutal experiência de vida”. É assim que Ester Alves, estudante e investigadora da Universidade do Porto, resume a sua participação na edição deste ano da Marathon Des Sables, prova que terminou entre as dez primeiras na classificação geral feminina, tornando-se, assim, na sétima portuguesa a completar aquela que é uma das mais exigentes provas de Ultra Trail do mundo, disputada no deserto do Saara, em Marrocos.

Com passagens pelo remo e pelo ciclismo, modalidades onde chegou a representar a seleção nacional por diversas ocasiões, a também antiga estudante da Faculdade de Ciencias da U.Porto – onde completou a licenciatura em Biologia, em 2005, e o Mestrado em Biodiversidade e Recursos Genéticos, em 2009 – aventurou-se no trail running por influência de um amigo. A Serra de Valongo foi o local onde percorreu os primeiros de muitos quilómetros que cumpriu desde então. A vontade de “pôr à prova os limites do corpo” levou-a a experimentar, aos poucos, provas cada vez mais exigentes.

Numa modalidade que tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos em Portugal, graças, também, aos “cenários maravilhosos de Norte a Sul do país”, a preferência de Ester recai nas provas por etapas, devido ao facto de aliar resistência física e mental, onde é necessário fazer uma boa recuperação no final de cada dia.

Para conciliar o trail running com os laboratórios da U.Porto, onde frequenta o Programa Doutoral em Patologia e Genética Molecular da Faculdade de Medicina (FMUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), a atleta afirma que é necessário ter os índices de motivação sempre no máximo, “o que acaba por ser também um desafio para a própria pessoa”.

Naturalidade? Miragaia

Idade? 35 anos

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Da cidade em si. O Porto dá essência à Universidade. Somos únicos!

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Da falha de comunicação entre as faculdades.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

A existência de uma plataforma única, com um acesso mais uniforme a todos os estudantes.

– Como prefere passar os tempos livres?

A fazer desporto; a namorar; a aprender algo novo sobre as vias de sinalização molecular (redes de proteínas, recetores) – aquelas pequenas moléculas que são a chave da nossa personalidade.

 – Um livro preferido?

“O Principezinho”.

– Um disco/músico preferido?

U2 e para que não haja dúvidas, a “One” é a minha música preferida.

– Um prato preferido?

Adoro um bom prato de bacalhau ou peixe grelhado.

– Um filme preferido?

O preferido é sempre o último: “Moonlight”.

– Uma viagem de sonho?

Uma viagem de sonho não tem nada a ver com o destino, mas com quem se partilha a experiência. Embora já tenha viajado bastante, Paris foi a cidade onde partilhei muito com quem mais amo e onde fui feliz.

– Um objetivo de vida?

Construir uma história da qual me orgulhe e partilha-la com quem mais amo.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

As pessoas que me são próximas são a minha maior inspiração, e, por isso, guardo-as comigo.

– O projeto da sua vida…

A minha vida já passou a “fase de projetos”. Já é uma realização.

Como surgiu o gosto pela corrida e para percorrer grandes distâncias?

Pela superação, ambição e pela tentativa de ser melhor hoje do que ontem. A corrida é uma forma de nos superarmos constantemente.