Duarte Gonçalves Ferreira

Chama-se Duarte Gonçalves Ferreira e é investigador do CINTESIS , no grupo de investigação HIS-EHR: Sistemas de Informação em Saúde e Registos de Saúde Eletrónicos e no projeto NanoSTIMA (um projeto que junta o INESC-TEC, o CIDESD, o Instituto de Telecomunicações e o CINTESIS). É também um “geek” confesso e um programador apaixonado pelo que que faz. Em abril, venceu o desafio internacional Fhir datathon, integrado na Medical Informatics Europe (MIE 2018), com o HL7 FHIR, uma tecnologia recente que define as regras de acesso e comunicação de dados entre serviços de saúde.

Com acesso a uma base de dados de dados conhecida apenas na altura, desenvolveu, em poucas horas, uma página web que permite avaliar dados de pacientes asmáticos, analisar os medicamentos prescritos e mostrar a probabilidade de ocorrência de reações adversas naqueles doentes em concreto. Criada juntamente com João Almeida, outro investigador do NanoSTIMA , esta ferramenta poderia ser aplicada, por exemplo, em situações de emergência, para identificar possíveis reações adversas a medicamentos que estejam na origem desses episódios.

Duarte Ferreira está absolutamente convencido de que a Informática pode salvar muitas vidas. Curiosamente, este não era o seu sonho de menino. Até ao 12º ano, queria ir para Medicina Veterinária. Acabou por fazer o mestrado integrado em Engenharia de Redes e Sistemas Informáticos na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). Trabalhou como programador, desenvolvendo software para gestão de recursos humanos e lojas online em empresas em Portugal e noutros países, como a Alemanha e o Vietname. Regressou à Universidade do Porto para se dedicar à investigação.

Como investigador do NanoSTIMA, tem trabalhado na área de openEHR, repositórios electrónicos de dados de saúde e Regulamento Geral de Proteção de Dados (o tão temido RGPD). É colaborador da Healthy Systems (Hltsys), uma spin-off da Universidade do Porto nascida no CINTESIS, e está a concluir o doutoramento em Gestão Industrial na FEUP, onde é também assistente convidado.

No futuro, vê-se a “resolver problemas difíceis.” De preferência em Portugal, onde acredita que ainda há muita coisa boa para fazer.

Idade: 33 anos

Naturalidade: Fânzeres, Gondomar

Do que mais gosta na Universidade do Porto?

Gosto da facilidade com que se encontra alguém que está disposto a ouvir as nossas ideias e a dar o seu apoio.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Acho que a Universidade do Porto tem demasiados egos, o que faz com que não haja tanta colaboração como deveria haver. Também não gosto do estigma de que só vão para a investigação dois tipos de pessoas: aqueles que eram muito bons ou aqueles que não conseguiam ir para mais lado nenhum. É uma ideia falsa.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Deveria haver uma maior valorização dos investigadores em comparação com a área. Isso é verdade, por exemplo, na área da informática, onde os salários de um investigador não são compatíveis com os do mercado de trabalho. Se temos bons médicos, engenheiros e investigadores, mas qualquer empresa consegue quadruplicar, sem grande esforço, o seu salário, vamos continuar a deixar fugir os recursos. Uma revisão dos estatutos dos investigadores não era uma má ideia.

– Como prefere passar os tempos livres?

Adoro praia e mar, mesmo no inverno. Faço bodyboard. Se pudesse, estava todos os dias dentro da água. Apesar de estar na área da informática e de me considerar um “geek”, não sou pessoa de estar muito tempo em casa em frente ao computador.

– Um livro preferido?

Sou muito esquisito na leitura. Gosto muito de Robin Cook. Acho interessante o cruzamento da parte médica como a parte policial.

– Um disco/músico preferido?

Ouço muitos tipo de música, desde pop portuguesa, como Diogo Piçarra, a Slipknot.

– Um prato preferido?

Comida italiana.

– O filme preferido?

Gostei dos “Matrix” e do “Kill Bill”, mas não sou cinéfilo.

– Uma viagem de sonho?

Uma viagem a uma cidade construída no fundo do mar ou ao tanque principal do Oceanário de Lisboa. Trocava isso por uma viagem a um local paradisíaco.

– Um objetivo de vida?

Acordar de manhã e não me arrepender do trabalho ou da vida que tenho. Sentir-me bem com aquilo que faço.

– Uma inspiração?

A minha família. O que eu sou devo a ela.