Ana Rita Ramalho

Natural do Porto, Ana Rita Ramalho realizou todo o seu percurso académico nesta cidade. A possibilidade de combinar a proximidade familiar, que muito preza, e o ensino de excelência, permitiram-lhe manter-se “por perto” e realizar os seus estudos na sua cidade natal.

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) foi a sua primeira escolha, onde entrou em 2012, encontrando-se neste momento a realizar o 5.º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MMED-FMUP). O percurso associativo esteve desde cedo presente na vida de Ana Ramalho: no primeiro ano de Faculdade tornou-se Presidente da Comissão de Curso dos anos 2012-2015 e, mais tarde, foi Representante dos Estudantes no Conselho Pedagógico da FMUP.

Durante o seu percurso estudantil realizou um Intercâmbio Científico na Polónia, que lhe permitiu não só conhecer a realidade de um Sistema de Saúde diferente do português, mas também ter a oportunidade de enveredar por um projeto de investigação distinto. A estudante salienta ainda a mais-valia desta experiência ao nível do enriquecimento multicultural, uma vez que partilhou o seu intercâmbio com estudantes de 12 nacionalidades distintas, desde a China ao México.

Ana Rita Ramalho é a atual Presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina. (Foto: ANEM)

Aos 22 anos, Ana Rita é atualmente Presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), cargo para o qual tomou posse no início deste ano. Teve o seu primeiro contacto com esta Associação quando se tornou Vice-Presidente Externa da Associação de Estudantes da FMUP. Nessa altura, estava ligada ao grupo de trabalho para a Educação Médica, área pela qual se apaixonou e na qual tem desenvolvido alguns trabalhos. Como membro da Comissão da Reforma Curricular do MMED-FMUP, teve a possibilidade de aprofundar os seus conhecimentos na área da Educação Médica, produzindo alguma investigação sobre as Unidades Curriculares Optativas. Neste contexto, apresentou um poster sobre o tema na edição de 2016 da Conferência da AMEE (Association for Medical Education in Europe), que decorreu em Barcelona.

Para além do cargo de Presidente da ANEM acumula vários outros, nomeadamente os de membro do Conselho de Representantes da FMUP e do Conselho Geral da U. Porto. Considera-os “responsabilidades que assume diariamente e que lhe permitem um crescimento e enriquecimento pessoal e profissional”.

Naturalidade? Porto.

Idade? 22 anos.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

Da oportunidade. Desde que sou estudante da Faculdade de Medicina, e da Universidade do Porto, que sinto que, em grande medida, tudo depende de nós, estudantes, da nossa vontade e capacidade. A minha Faculdade, a minha Universidade, convida-me a intervir, a contribuir para a mudança e a ser parte dela. Coube-me a mim aceitar o desafio e fazer aquilo que acredito ser a diferença, e estou convicta que foram estas oportunidades, estes desafios, que hoje me fazem sentir capaz de assumir um novo compromisso.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

Esta e a terceira pergunta respondem à mesma questão: aquilo que eu menos gosto, é onde eu acho que a Universidade do Porto podia melhorar.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto? 

A Universidade do Porto é tão enriquecida social, científica e culturalmente, que acho que essa diversidade poderia, e deveria ser potenciada. Pessoalmente, e porque interpreto o exercício da Medicina de uma forma interdisciplinar e interprofissional, gostaria de ao longo dos meus seis anos de curso, ter atravessado a rua para ter umas aulas de Gestão em Saúde na FEP; ter entrado no metro e saído para ter uma aula sobre Lei de Bases da Saúde na FDUP; ter estado no Centro Hospitalar do Porto a ter uma aula prática com aqueles que também serão os meus colegas. Acho que ainda há muito a fazer, no seio da Universidade. Neste sentido, é com bons olhos que testemunho os primeiros passos desta multidisciplinariedade e interprofissionalismo.

– Como prefere passar os tempos livres?

Sinceramente, prefiro não ter tempos livres. Entre, por um lado, os amigos e a família e, por outro, o curso que é apaixonante, os compromissos que são desafios preponderantes e a ANEM que é uma responsabilidade constante, assusta-me a ideia de poder ter tempo “livre”. Quando o tiver, é porque estou a falhar para algum deles, pelo que, por opção, não o vou fazer.

– Um livro preferido?

O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse.

– Um disco/músico preferido?

“Vida de Estrada”, dos Diabo na Cruz. É (repetidamente) a minha banda sonora.

– Um prato preferido?

Caril de frango, mas tem que ser a receita de família e que está nas mãos do meu pai.

– Um filme preferido?

“Saving Private Ryan”.

– Uma viagem de sonho? 

Quem me conhece sabe que comprar dois bilhetes de avião é a única maneira em que concebo a hipótese de ser possível comprar “felicidade”. Dois bilhetes, e nunca um, porque as viagens valem pelas memórias que trazemos (e deixamos) dos sítios, e as memórias só valem a pena forem partilhadas.

– Uma inspiração?

As pessoas inspiram-me. Nada melhor do que rodearmo-nos de pessoas apaixonadas e apaixonantes. Não podia deixar de referir, dada a conjuntura atual, uma citação que me inspira particularmente: “We don’t fear the future, we shape it”. Let’s shape it!

 – O projeto da sua vida…

O projeto da minha vida? Vou-o construindo. É precisamente esse o entusiasmo deste projeto que é a nossa vida, não suspeitarmos e deixarmo-nos surpreender, por o que ela nos reserva.

– Em que medida é que a ANEM pode promover a dinâmica da relação médico-doente?

Interpreto o associativismo como um fim em si mesmo, como um complemento à formação médica providenciada pela minha Escola. O associativismo promove o relacionamento interpares, potencia o desenvolvimento pessoal, e estas são duas características que considero terem uma importância vital para um exercício de Medicina de qualidade, e que não se aprendem numa aula teórica com um professor a declamar conceitos. Pertencer a uma Federação de âmbito nacional, já me ensinou muito. Aprendemos que não são as diferenças que determinam o sucesso ou o insucesso do nosso trabalho, mas que estas são extremamente enriquecedoras ao propósito comum que nos aproximou numa primeira instância – o compromisso de uma aproximação e representação exímia de um grupo estudantil exigente para consigo mesmo, e para com quem os representa. Vivo (e desafio todos os meus colegas a viverem-no comigo) o mote lançado por uma personalidade também desta casa: “o médico que só sabe de Medicina nem Medicina sabe”, e no final, os principais beneficiados são, e serão sempre, os nossos doentes.