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  • Carlos Gil Ribeiro Martins

    O prestigiado Times Higher Education (THE) publicou em 10 de Março O ranking 2016 das 200 melhores universidades europeias. A única instituição portuguesa listada é o Instituto Superior Técnico no grupo dos #181-190. As três primeiras são do Reino Unido e o top 10 inclui mais quatro instituições britânicas.

    https://www.timeshighereducation.com/world-university-rankings/best-universities-in-europe-2016

    Docente na UP durante cerca de 30 anos, emigrei para o Reino Unido em 2013. Em contraponto completo à burocracia, morosidade, júris e demais, de qualquer concurso numa universidade portuguesa, compareci a uma entrevista na Plymouth University (#151-160 do ranking europeu 2016 e #37 do ranking mundial 2015 das universidades com menos de 50 anos) com a equipa onde me iria integrar e menos de uma semana depois, já no Porto, recebi um telefonema do Director da equipa a oferecer-me o lugar.

    Poderia escrever várias páginas descrevendo e reflectindo sobre uma realidade educacional universitária que é completamente distinta, a todos os níveis, do que acontece nas universidades portuguesas. No entanto a minha motivação para escrever estas linhas foca-se na competência educacional que é exigida, não só a todos os docentes mas também a diverso staff universitário, desde técnicos de sistemas de informação até especialistas do centro de mergulho ou de vela da universidade – a todos é requerido a frequência e aproveitamento final no Postgraduate Certificate in Academic Practice (PGCAP), um curso de pós-graduação, a nível de mestrado, a completar entre 1 a 2 anos. O PGCAP, exigido aos docentes das universidades do reino unido, é regulado pela Higher Education Academy (HEA) que é o corpo nacional responsável pela promoção da qualidade educacional no ensino superior, focada na contribuição das metodologias e modelos de ensino para uma alargada experiência de aprendizagem dos estudantes.

    Apesar de ter realizado ‘provas pedagógicas e de capacidade científica’ na Universidade do Porto e ser Doutorado pela Universidade de Lisboa, nunca tive nenhuma preparação pedagógica para leccionar estudantes universitários. Posso escrever com confiança que o mesmo acontece com a grande maiorias dos docentes universitários portugueses.

    Ser Fellow da Higher Education Academy (FHEA), o que acontece automaticamente após conclusão do PGCAP, é uma marca de qualidade exigida contratualmente nas universidades britânicas. Não admira pois que estas dominem o ranking europeu.

    Termino com outra situação que seria muito difícil acontecer, se não mesmo impensável, numa universidade pública portuguesa (e a Plymouth University é pública, sendo que no reino unido só existem 5 universidades privadas) – A nossa equipa, a Hydrographic Academy (HA), foi comprada à Universidade pelo IMarEST (Institute of Marine Engineering, Science and Technology), uma instituição internacional de desenvolvimento profissional, pelo que agora somos uma pequena empresa privada, pertença do IMarEST (que é uma “charity”), mas funcionando com um “partner college” da Plymouth University, i.e., os nossos alunos são alunos da universidade.

    Carlos Martins, PhD, FHEA

    Lecturer for e-learning in Hydrography

    Marine Learning Alliance with Plymouth University

    http://www.mla-uk.com