O futuro da humanidade vai a jogo na Universidade do Porto

A artista catari-americana Sophia Al-Maria vai passar pela Faculdade de Belas Artes a 9 de novembro (Foto: DR)

O objetivo é ambicioso. Durante sete dias (5 a 11 de novembro), a cidade do Porto vai ser o centro de um debate alargado em torno de ideias de destruição e de salvação para o planeta e para a humanidade. O palco será mais uma edição do Fórum do Futuro, o “festival de pensamento” que decorre anualmente na Invicta e que, este ano, volta a ter a Universidade do Porto como parceiro privilegiado.

Organizado pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Porto desde 2014, o Fórum do Futuro regressa este ano com o propósito de reunir convidados de diferentes territórios científicos e artísticos e diferentes geografias culturais para refletir sobre questões fundamentais para as sociedades contemporâneas. Tudo isto tendo como mote a “Terra Elétrica” e um conjunto de questões que agitam hoje a estabilidade do planeta em domínios tão alargados como o Clima, Violência, Sexualidade, Tecnologia e Extinção.

O Fórum arranca na tarde do dia 5 de novembro, no Grande Auditório do Teatro Rivoli, com uma conferência protagonizada pelo sociólogo norte-americano Richard Sennett. Segue-se um programa intensivo de conferências, instalações artísticas, performances e concertos que, nos dias seguintes, vai percorrer diversos locais da cidade (Coliseu do Porto, Casa da Música, Museu de Serralves, Mosteiro de São Bento da Vitória, entre outros).

A primeira “aparição” do festival na U.Porto está marcada para a tarde (16h00) de 9 de novembro, na Faculdade de Belas Artes (FBAUP). É ali que a artista, escritora e cineasta catari-americana, Sophia Al-Maria, vai desafiar o público a refletir sobre os “efeitos cataclísmicos das indústrias extrativas, das alterações climáticas e da proliferação de tecnologias digitais” numa sessão de “Futurologia do presente: arte, corpo e clima”.

Um dia depois, a 10 de novembro, o Fórum viaja até ao Jardim Botânico do Porto, mais propriamente à Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva / Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto, para uma conversa com Les U. Knight, fundador do VHEMT – Voluntary Human Extinction Movement (Movimento de Extinção Humana Voluntária). A sessão tem início às 19h00 e contará com a moderação de Vânia Rodrigues, coordenadora de gestão e programação da companhia de teatro mala voadora.

Ao Fórum do Futuro 2017 juntam-se também vários docentes, investigadores e antigos estudantes da U.Porto, a quem caberá a responsabilidade de moderar alguns dos eventos programados. É o caso do patologista, professor e investigador Manuel Sobrinho Simões que, na noite (21h30) de 6 de novembro, vai estar no Teatro Rivoli para acompanhar a cientista norte-americana Elizabeth Hadly (catedrática de Biologia Ambiental na Stanford University) numa reflexão sobre os problemas que estarão condenar a humanidade à extinção a curto prazo (a escassez de água e de recursos alimentares, o crescimento global da população, as alterações climáticas, ou as migrações em massa).

Menos dramático, mas igualmente imperdível, promete ser a conferência que, a 7 de novembro, pelas 19h00, vai trazer ao Coliseu do Porto a designer francesa Nelly Ben Hayoun, que, entre outras iniciativas, criou com a NASA uma Orquestra do Espaço (The International Space Orchestra) e fundou uma universidade para “sonhadores modernos” (The University of the Underground). Neste debate, moderado por Mariana Pestana (arquiteta formada pela Faculdade de Arquitectura da U.Porto e curadora do Victoria Albert Museum), aquela que é conhecida como a “Willy Wonka do Design e da Ciência” abrirá espaço para pensamentos e provocações em torno do impacto sociológico das novas tecnologias.

O desenvolvimento tecnológico será também  o “prato forte” da conferência que o físico David Shoemaker vai dar a 9 de novembro (21h30), no Teatro Rivoli. Em conversa com Orfeu Bertolami, professor catedrático do Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências da U.Porto, o porta-voz da LIGO Scientific Collaboration – projeto galardoado este ano com o Nobel da Física – mostrará o processo que conduziu à deteção  das ondas gravitacionais geradas pela colisão de dois buracos negros, cuja existência foi afirmada por Albert Einstein há um século atrás, mas apenas confirmada em 2015.

A entrada nas sessões do Fórum do Futuro 2017 é gratuita, mediante levantamento de bilhete (2 por pessoa), no local da sessão, no próprio dia, a partir da hora de abertura da bilheteira.

Mais informações em http://forumofthefuture.com/.