O futuro da Engenharia em discussão na FEUP

changeNo âmbito das comemorações do Centenário da Faculdade Técnica, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) promove , no próximo dia 3 de dezembro, um debate sobre o papel da engenharia no mundo de hoje.

Qual é a importância da aposta na inovação? Como se explica a crise nas vocações científicas e a desigualdade de género na área da engenharia? E como atrair e reter talento na indústria? Estas e outras questões serão debatidas, a partir das 18h00, no Anfiteatro Nobre da FEUP, por várias figuras do mundo da indústria (ver programa completo).

Organizado pela recém-criada Comissão de Ligação à Indústria da FEUP, organismo que pretende promover ativamente a cooperação com os parceiros industriais e ser o ponto de contacto facilitador do acesso e transferência de conhecimento para o universo empresarial, o debate “Engenharia para um mundo em mudança: um roteiro para o futuro da prática, educação e investigação em engenharia” vai debruçar-se sobre questões relevantes como a crise nas vocações científicas e a desigualdade de género na engenharia, o desajuste entre a oferta e a procura de graduados em engenharia, a importância das competências transversais no mundo profissional ou a atração e retenção de talento pela indústria. Em debate estará também a ligação entre Universidade e Indústria, à luz de temas como as dissertações em ambiente empresarial: vantagens e obstáculos, o papel dos centros de inovação, as universidades corporativas e as parcerias académicas.

Esta reflexão enquadra-se nas comemorações do Centenário da Faculdade Técnica, dado o caráter inovador e até revolucionário que o então Regulamento da escola apresentava, em 1921. O documento revela uma modernidade surpreendente que contempla visitas de estudo, estágios e formação pós-graduada, enquadrando a investigação científica, os doutoramentos, os períodos sabáticos e os direitos de autor e propriedade industrial, entre outros pormenores do funcionamento da Faculdade Técnica à época.

Recorde-se que tudo isto decorre das reformas da Primeira República, um período fértil em mudanças do ensino universitário, destacando-se a criação das Universidades do Porto e Lisboa, em 1911, e a publicação do Estatuto Universitário em 1918 que, em traços gerais, antecipava as funções das universidades (ensino profissional, investigação científica e difusão da alta cultura) e o modelo de funcionamento das universidades públicas que vigora até aos dias de hoje.