Doutoranda da Faculdade de Ciências cria nanosensor “enólogo”

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Novo sensor “made in U.Porto ” permite estimar a sensação de secura e constrição percebida na língua quando bebemos vinho. (Foto: Arquivo U.Porto)

As maravilhas da nanotecnologia poderão em breve beneficiar a experiência de degustação de vinhos. Essa é pelo menos a ideia de Joana Guerreiro, doutoranda em Química, mestre em Tecnologia, Ciência e Segurança Alimentar pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), que está a desenvolver um sensor ótico que permite estimar a adstringência dos vinhos. Traduzindo: a sensação de secura e constrição percebida na língua quando bebemos vinho.

Publicado recentemente na prestigiada revista “ACS Nano”, o estudo da também investigadora do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto visou criar um nanosensor que permitisse simular o que acontece na cavidade oral quando se ingere vinho. Para tal, o principal “alvo” do sensor é a avaliação da adstringência, uma característica organoléptica que é normalmente avaliada por análise sensorial e que “consiste na sensação tátil resultante da interação entre as proteínas salivares presentes na boca e os polifenóis do vinho”. Interação essa que “faz com que as proteínas alterem a sua conformação, acabando por levar à formação de agregados”, explica a cientista portuense.

Joana Guerreiro, FCUP

Joana Guerreiro acredita que o novo sensor pode ser uma “ferramenta útil” para os enólogos (Foto: FCUP)

Segundo Joana Guerreiro, poderá ser possível comercializar este sensor no futuro, mas não o vê como um substituto dos enólogos. Em vez disso, deve ser encarado “como uma ferramenta que possa ser útil” a estes profissionais, uma vez que a combinação de ambos poderia ser vantajosa, já que “diminuiria a subjetividade inerente ao ser humano”.

O artigo “Multifunctional Biosensor Based on Localized Surface Plasmon Resonance for Monitoring Small Molecule Protein Interaction” resulta da investigação desenvolvida durante o doutoramento de Joana Guerreiro, sob orientação de Victor Freitas, docente do Departamento e Química e Bioquímica da FCUP e com a colaboração BioMark Sensor Research do Instituto Superior de Engenharia do Porto (Goreti Sales) e iNANO da Universidade de Aarhus (Duncan Sutherland).