Morreu Paulo Cunha e Silva, o “pensador” da Cultura do Porto

Paulo Cunha e Silva é professor associado de Pensamento Contemporâneo na Faculdade de Desporto da U. Porto

Paulo Cunha e Silva era professor associado na Faculdade de Desporto da U.Porto. (Foto: DR)

Paulo Cunha e Silva, professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) e vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto (CMP), faleceu esta quarta-feira, aos 53 anos, vítima de um enfarte do miocárdio.

Licenciado, Mestre e Doutor em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da U.Porto, Paulo Cunha e Silva foi Professor de Anatomia no ICBAS. Atualmente, era Professor Associado de Pensamento Contemporâneo na FADEUP.

Um dos principais responsáveis pela programação do Porto 2001, foi presidente do Instituto da Artes do Ministério da Cultura, Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Roma e Comissário de um extenso programa no âmbito de Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura. Era também coordenador científico dos Estudos Contemporâneos da Fundação de Serralves desde 2000, lugar onde promoveu diversas atividades em torno dos temas da cultura contemporânea.

Paulo Cunha e Silva destacou-se ainda como comissário de várias exposições relevantes. Foi o caso de “Depósito: anotações sobre densidade e conhecimento”, exposição que, em 2007,  levou os depósitos dos vários núcleos museológicos da U.Porto para o coração da cidade ((Edifício da Reitoria), dando a conhecer peças únicas “escondidas” nos espólios da Universidade.

Enquanto vereador da Cultura da CMP, cargo que ocupava desde outubro de 2013, distinguiu-se na promoção de eventos como o Fórum de Futuro, cuja edição 2015 decorreu de 4 a 8 de novembro. Em outubro, foi condecorado pelo governo francês com o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras.

“Quem teve a oportunidade de trabalhar com o Professor Paulo Cunha e Silva, e foram muitas as iniciativas que organizou em parceria com a Universidade do Porto, recorda não só a sua criatividade e profusão de ideias, mas também o entusiasmo contagiante que colocava em cada projeto. Era de facto difícil ficar indiferente à sua energia, determinação e erudição. Ademais, o Professor Paulo Cunha e Silva tinha uma alegria de viver que torna de todo inverosímil esta morte inesperada”, recorda o Reitor da U.Porto, Sebastião Feyo de Azevedo.

Para o Reitor, Paulo Cunha e Silva “foi sem dúvida um dos grandes gestores culturais do nosso tempo, graças ao pensamento estruturado, contemporâneo e multidisciplinar que tinha sobre a cultura e à sua capacidade para mobilizar meios e vontades”. Por isso mesmo, “agora, há que preservar e potenciar a herança cultural deixada pelo Professor Paulo Cunha e Silva à cidade e ao país”, remata o Feyo de Azevedo.

O corpo de Paulo Cunha e Silva estará em câmara ardente a partir das 17h00 desta quarta-feira, no palco do Auditório Manoel de Oliveira do Teatro Municipal Rivoli, que estará aberto durante toda a noite. O funeral realiza-se esta quinta-feira, 12 de novembro, pelas 14h00, na Igreja da Lapa, onde será celebrada missa de corpo presente.

O presidente da Câmara, Rui Moreira, decretou entretanto três dias de luto Municipal.