Meninas com padrão alimentar muito calórico têm mais tendência a engordar

O estudo, publicado na Revista “Public Health Nutrition”, envolveu 3.473 crianças da coorte Geração 21. (Imagem: Pixabay).

Um estudo de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) mostra que um padrão alimentar densamente energético seguido na idade pré-escolar (4 anos) persiste até aos 7 anos de idade em rapazes e raparigas, estando associado a maiores índice de massa corporal, índice de massa gorda e razão cintura/altura aos 7 anos de idade nas raparigas.

A investigação, que envolveu 3.473 crianças da coorte Geração 21 – projeto de investigação que acompanha cerca de 8600 crianças da cidade do Porto, desde o nascimento – mostra que uma proporção substancial de crianças aos 4 anos de idade (44% das raparigas e 45% dos rapazes) já pratica um padrão alimentar excessivo em alimentos demasiado calóricos com pouco interesse do ponto de vista nutricional, como bolos e doces, refrigerantes e néctares, charcutaria, pizzas e hambúrgueres, croquetes e rissóis, e batatas fritas. Quem segue este padrão aos 4 anos tem mais tendência a mantê-lo aos 7 anos de idade, aumentando a proporção de crianças que o pratica nesta idade (49% das raparigas e 53% dos rapazes).

Os resultados revelam que as raparigas que praticavam este padrão densamente energético aos 4 anos de idade apresentaram maior índice de massa corporal e perímetro da cintura 3 anos mais tarde, bem como quantidades significativamente superiores de massa gorda corporal. Nos rapazes, os efeitos deste padrão alimentar podem vir a observar-se mais tarde.

“Tendo em conta que a idade pré-escolar é um período particularmente relevante para o estabelecimento de preferências e de hábitos alimentares, esta fase da vida é uma oportunidade de excelência para intervir, já que a criança e a sua família podem estar mais abertas à mudança”, refere Catarina Durão, primeira autora do estudo.

As intervenções devem incidir particularmente sobre “alimentos com elevada densidade energética e sobre bebidas açucaradas”, uma vez que “o consumo destes produtos está associado entre si”. Isto significa que “as crianças que consomem mais fast food, também bebem mais bebidas açucaradas, comem mais bolos, doces e guloseimas e snacks salgados como rissóis e croquetes”, remata Catarina Durão.

O estudo designado “Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age”, publicado na revista “Public Health Nutrition”, foi desenvolvido no Grupo de Investigação em Epidemiologia da Nutrição e da Obesidade da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, contando ainda com a assinatura dos investigadores Milton Severo, Andreia Oliveira, Pedro Moreira, António Guerra, Henrique Barros e Carla Lopes.

Esta investigação é uma das primeiras a conseguir mostrar que um padrão alimentar deste tipo está associado a subsequente maior adiposidade (gordura) em idades tão precoces. O artigo pode ser consultado no seguinte link.