Sobrinho Simões vence Grande Prémio Ciência Viva Montepio 2016

Sobrinho Simões (Ipatimup)Manuel Sobrinho Simões, fundador e diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) e membro da Comissão Diretiva do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S),  foi distinguido com o Grande Prémio Ciência Viva Montepio 2016 pelo seu contributo para a promoção da cultura científica.

Professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, médico patologista no Hospital de S. João e investigador no Ipatimup/i3S, Sobrinho Simões (ver perfil abaixo) sempre assumiu a promoção da cultura científica como uma das suas prioridades, motivo pelo qual dedica parte do seu tempo a participar em palestras em escolas e em conferências e debates para o público em geral. Este ano já se deslocou a oito escolas de Ensino Secundario desde o Barreiro até ao Funchal e ainda irá a Buarcos. No primeiro trimestre do próximo ano já tem agendadas palestras em escolas de Faro, Famalicão, Monserrate (Viana do Castelo) e Arga-Lima (Lanheses).

Sob a liderança de Sobrinho Simões, o Ipatimup apostou também fortemente na divulgação da Ciência e da Saúde junto das escolas e do público em geral. Para o efeito, criou, em 1996, um gabinete dedicado à educação e cultura científica. De destacar ainda o Laboratório Aberto, por onde passaram já mais de 30 mil crianças e jovens e o Autolaboratório, que envolveu cerca de seis mil alunos da região do Porto. O Ipatimup foi também pioneiro no acolhimento de jovens do ensino secundário para a realização de estágios com os seus investigadores durante o verão, uma iniciativa que a Ciência Viva organiza desde 1997 com a comunidade científica.

Os Prémios Ciência Viva Montepio são atribuídos anualmente pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e pelo Montepio a personalidades e instituições que se destaquem pelo seu mérito excepcional na promoção da cultura científica em Portugal. Os premiados são selecionados pelos representantes das instituições de investigação científica que constituem a Agência Ciência Viva.

A entrega dos galardões terá lugar no Pavilhão do Conhecimento no próximo domingo, 27 de novembro, último dia da Semana da Ciência e da Tecnologia 2016.

Sobre Manuel Sobrinho Simões

Natural do Porto (1947), Manuel Sobrinho Simões licenciou-se em Medicina pela FMUP em 1971, iniciando nesse ano o seu percurso como professor de Anatomia Patológica. Em 1979 completa o doutoramento em Patologia com uma dissertação sobre o cancro da tiróide. Nesse mesmo ano, ruma à Noruega para fazer o pós-doutoramento no “Norsk HydroŽs Institute for Cancer Reserch”. Regressa a Portugal e à U.Porto um ano depois para assumir o cargo de Professor Associado na FMUP e, mais tarde, em 1988, o de Professor Catedrático do 4º Grupo (Patologia).

Chefe de Serviço no Hospital de São João desde 1988, criou o Ipatimup em 1989, liderando desde então aquele que é hoje um dos mais prestigiados centros de investigação e diagnóstico da Europa na área do cancro, e apenas um dos três laboratórios europeus acreditados pelo Colégio Americano de Patologistas. Em 2008 criou, como diretor do Ipatimup, e em conjunto com o IBMC e o INEB, o consórcio que deu origem ao atual i3S.

Reconhecido pelos seus estudantes e pares como um “educador por excelência”, Sobrinho Simões é autor e co-autor de centenas de artigos científicos editados em publicações internacionais. Um percurso que lhe valeu a nomeação para posições de liderança nas mais importantes organizações internacionais no domínio da Patologia, incluindo a Sociedade Europeia de Patologia, a Escola Europeia de Patologia e a Associação Europeia de Prevenção de Cancro.

No curso de sua carreira, conquistou vários nacionais e internacionais, incluindo o Prémio Bordalo (1996), o Prémio Seiva (2002) e o Prémio Pessoa (2002). Em 2004, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, e em 2009, tornou-se Comendador da Ordem do Mérito Real da Noruega.

Em 2015, a revista The Pathologist elegeu-o como o «patologista mais influente do mundo» por ter contribuído, «mais do que qualquer outra pessoa, para a visibilidade da patologia na Europa».