Mães portuguesas tendem a engordar nos quatro anos após o parto

Em Portugal, por ano, 850 bebés nascem prematuramente. (Foto:GoogleImages)

Um estudo desenvolvido por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que as mulheres portuguesas tendem a aumentar” consideravelmente” de peso nos primeiros quatro anos após o parto, em comparação com aquele que tinham antes de engravidar.

Recorrendo dados obtidos através do Geração 21 (G21), um projeto pioneiro que vem acompanhando desde 2005 o desenvolvimento pré-natal e pós-natal de mais de oito mil crianças e respetivas mães, da área metropolitana do Porto, os investigadores verificaram que a prevalência de excesso de peso passou de 37% para 55% entre as mulheres avaliadas. Um número que, para Ana Henriques, uma das investigadoras envolvidas no projeto, “reflete a falta de eficiência das recomendações para a sua manutenção durante e imediatamente após a gravidez”.

De acordo com o estudo, a satisfação com a imagem corporal tem um impacto significativo na evolução do peso das mulheres. A este nível, as mulheres mais satisfeitas com a sua imagem são aquelas que melhor controlam o peso nos primeiros anos após a gravidez. Já “as mulheres com IMC ( Índice de Massa Corporal IMC) normal antes da gravidez, que se sentem acima da sua silhueta ideal, têm mais do dobro do risco de virem a ter excesso de peso quatro anos depois do parto e mais do triplo do risco de virem a ser obesas do que as mulheres que se sentem satisfeitas com a sua silhueta”, explica Ana Henriques, em declarações à agência à Lusa.

Os resultados obtidos mostraram ainda que a intervenção ao nível das questões psicológicas associadas à regulação do peso, como as crenças, a perceção e as expectativas relacionadas com a imagem corporal, pode ter um papel relevante na prevenção da obesidade. Outro dos aspetos evidenciados prende-se com a trajetória social da mulher, sendo que as mulheres que tinham posição social mais elevada na infância do que a que na vida adulta têm maior probabilidade de se sentirem insatisfeitas com o corpo.

Sobre o Geração 21

Liderado por Henrique Barros, diretor do ISPUPe professor da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), o Geração 21 é um projeto inédito em Portugal que vem acompanhando o desenvolvimento de 8647 crianças nascidas nas cinco maternidades públicas da área metropolitana do Porto, entre abril de 2005 e agosto de 2006.  Através do estudo desta amostra alargada – a Geração 21 é uma das dez maiores coortes da Europa -, e com o apoio das respetivas famílias (o que representa o envolvimento de mais de 25.000 pessoas), pretende-se chegar a resultados inéditos sobre as características da gravidez e da infância que influenciam o desenvolvimento e o estado de saúde nas fases seguintes da vida.

Desde o arranque do projeto, tanto as crianças e as respetivas mães são estudadas regularmente através de questionários e uma avaliação física que engloba antropometria, medição da pressão arterial e, em alguns casos, uma colheita de sangue. Para além dos investigadores, estão ainda envolvidos  diversos profissionais de saúde, desde médicos a enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e dentistas.

O projeto é financiado pelo Programa Operacional de Saúde – Saúde XXI, pela Administração Regional de Saúde do Norte – IP, pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Fundação Calouste Gulbenkian.