Porto vai ser a capital mundial da cultura underground

Billy Bragg

O músico e ativista político britânico Billy Bragg será um dos “key speakers” da conferência. (Foto: DR)

Viajar à tumultuosa Inglaterra do Thatcherismo pela voz de um dos maiores ícones da música de intervenção britânica, descobrir as raízes do movimento punk com um dos seus protagonistas, ou simplesmente aproveitar para conhecer alguns dos mais emblemáticos espaços culturais da cidade do Porto. De 17 a 21 de julho, tudo isto vai ser possível nos oito “palcos” escolhidos para receber a terceira edição do congresso Keep It Simple, Make It Fast (KISMIF), um evento que vai juntar no Porto académicos, músicos, artistas e toda a população da cidade numa celebração da música e da cultura underground.

Organizada pelo Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (IS-UP, Portugal), em parceria com o Pelouro da Cultura – Câmara Municipal do Porto (Portugal), a KISMIF é (muito mais do que) uma conferência científica pioneira, centrada em torno das cenas musicais underground e das culturas do-it-yourself (DIY).  Ponto de encontro de cientistas sociais que, um pouco por todo o mundo, investigam e divulgam o fenómeno musical, trata-se também de uma plataforma de discussão e reflexão que envolve músicos, críticos e outros nomes ligados à cena artística.

E se o conceito promete, o programa não faz por menos. Dedicada ao tema “DIY Cultures, Spaces and Places”, a edição deste ano tem como primeiro ponto alto a sessão de abertura, agendada para dia 18 julho, na Sala 2 da Casa da Música. Algumas horas depois, pelas 13h30, o mesmo espaço vai receber Billy Bragg (cantor, compositor, guitarrista, ativista político britânico e figura maior do movimento ‘anti-folk’ dos anos 1980,) e Steve Ignorant (fundador e vocalista dos Crass, banda inglesa que liderou o movimento punk anárquico em finais da década de 70), dois ícones da música inglesa que falarão com o público sobre o seu trabalho.

Ao longo dos dias seguintes (ver programa), a discussão muda-se para os espaços da Faculdade de Letras da U.Porto e será liderada por 13 key speakers de renome mundial, incluindo Don Letts, músico, documentarista e DJ que se notabilizou por ter introduzido o reggae e o dub na cena punk londrina dos finais da década de 70. Pelo meio, a Conferência vai visitar outros espaços da cidade, com destaque para a Casa da Música, o Teatro Municipal Rivoli, o Edifício Montepio, o Plano B, o Palacete Viscondes Balsemão, as Caves Taylors e o Radio Bar.

Durante cinco dias, a Invicta vai assim transformar-se na capital da cultura underground através de um programa que, para além do debate científico, vai envolver a cidade num conjunto alargado de eventos artísticos, com especial enfoque na música underground e noutras expressões artísticas que vão expandir a KISMIF para fora dos espaços académicos. Entre eles inclui-se a exibição de nove exposições, sete concertos e DJ sets, 14 lançamentos de livros, entre outras ações que prometem “propiciar a todos os participantes uma experiência única ao nível das culturas DIY presentes em Portugal, no Porto e nas suas diásporas singulares”, antecipa Paula Guerra, doente da FLUP e uma das coordenadoras do evento.

O Congresso será sucedido por uma Summer School – intitulada “Mappin’ Your Own Underground!” – que vai  realizar-se no dia 22 de julho, na FLUP. Destinada a estudantes de todos os ciclos de estudo, incluindo aqueles que participem no Congresso, esta iniciativa dará aos participantes a possibilidade de discutirem as suas investigações em seminários liderados por professores e investigadores relevantes neste campo de investigação.

Mais informações no site do evento, no Facebook ou através do e-mail kismif.conference@gmail.com.