Jardim Botânico do Porto entre os melhores espaços verdes do mundo

O Jardim Botânico do Porto é um dos primeiros jardins portugueses a ser distinguido com o Green Flag Award. (Foto: MHNC-UP)

O Jardim Botânico do Porto – Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP) é um dos três espaços verdes do Porto que acabam de ser distinguidos com o Green Flag Award, um prémio internacional atribuído anualmente pela Organização Não Governamental Keep Britain Tidy, sob a égide do Ministério da Habitação, Comunidades e Governo Local do Reino Unido, com o objetivo de reconhecer a boa gestão de parques e jardins em todo o mundo. Trata-se da primeira vez que “a bandeira verde” distingue jardins portugueses.

Para além do “pulmão” verde da U.Porto, também os portuenses Parque da Cidade e Jardim do Passeio Alegre, ambos geridos pela Câmara Municipal do Porto, juntam-se agora à “elite” dos espaços verdes a nível mundial, em resultado de uma iniciativa liderada pela Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP). Portugal é um dos 17 países que receberam este ano o galardão.

“Este prémio só é atribuído a espaços verdes públicos que cumpram os mais elevados padrões de qualidade na sua gestão avaliando parâmetros como a proteção e promoção da Paisagem, do Património e da Biodiversidade, a Manutenção e Limpeza, a Segurança e o Conforto, e o Envolvimento da Comunidade”, explica Cláudia Fernandes, diretora da Licenciatura em Arquitetura Paisagista da FCUP, e responsável pela introdução do prémio em Portugal.

Todas estas características estão reunidas no Jardim Botânico do Porto, instalado desde 1951, na antiga Quinta do Campo Alegre, que tendo acolhido o Instituto de Botânica Gonçalo Sampaio e o Departamento de Botânica da FCUP, se constitui hoje, em conjunto com a Galeria da Biodiversidade, como um espaço cultural e de fruição de referência ao serviço do público.

Nas palavras de Paulo Farinha MarquesDiretor do Jardim Botânico do Porto e docente da FCUP, “este é um espaço muito especial, onde a originalidade e a diversidade se articulam com uma participação e gestão fora do comum. Baixos recursos sustentam-se com dedicação e empenho, paixão e poesia”, aponta o responsável, acrescentando que “é muito reconfortante o Jardim ser reconhecido pela sua especial condição que motiva a continuar o trabalho iniciado desde há muito”.

Um exemplo para outros jardins nacionais

Criado em 1996, o galardão distinguiu também o Jardim do Passeio Alegre do Porto. (Foto: Isabel Leal)

As candidaturas ao prémio Green Flag são efetivadas através da apresentação de um Plano de Gestão. “Como o curso de Arquitetura Paisagista da FCUP se destaca do panorama formativo em Portugal também pelo desenvolvimento destas competências, quando apresentamos o projeto, a Câmara Municipal do Porto propôs-nos apoiar e coordenar a produção destes planos“, explica Cláudia Fernandes.

O Parque da Cidade do Porto foi outro dos espaços distinguidos. (Foto: Catarina Fernandes)

O processo de candidatura contemplou várias fases e contou com as visitas de elementos do júri aos jardins, realizadas no início e no final do processo.

Para a docente da FCUP, concorrer a este prémio foi uma forma de poder “destacar o excelente trabalho já desenvolvido pelas equipas que gerem e mantêm estes espaços e também de divulgar internacionalmente o nosso extraordinário património paisagístico”.

O objetivo é que, agora que está dado o primeiro passo, muitos outros parques e jardins públicos no país possam seguir o exemplo e Portugal possa ter no mapa muitas mais bandeiras verdes.

No caso concerto do histórico Jardim Botânico do Porto, esta distinção surge também como o resultado de um árduo e longo trabalho de valorização de um património incontornável, desenvolvido ao longo de muitos anos por múltiplos intervenientes, dentro da esfera da U.Porto e fora dela. Como destaca Paulo Farinha Marques, “é muito reconfortante o Jardim ser reconhecido pela sua especial condição que motiva a continuar o trabalho iniciado desde há muito”.

Sobre o Jardim Botânico do Porto

Ocupando uma área de cerca de quatro hectares, o Jardim Botânico do Porto é um espaço de referência na cidade do Porto, que foi sendo desenhado ao longo de várias épocas, e cujo valor histórico é evidenciado pela conservação das coleções botânicas e do traçado dos diversos jardins que alberga.

Juntamente com a Galeria da Biodiversidade, instalada desde 2017 no palacete do séc. XIX para os quais os seus portões principais se abrem, o Jardim Botânico do Porto integra a estrutura do MHNC-UP. Nele convivem harmoniosamente valores paisagísticos, florísticos e literários, sendo este o jardim que inspirou muitas das obras dos escritores Sophia de Mello Breyner Andresen e Rúben Andresen Leitão.

Atualmente, o Jardim Botânico do Porto está organizado em três patamares com características muito distintas. No primeiro patamar, envolvendo a Galeria da Biodiversidade, desenvolvem-se os jardins formais, separados pelas altas sebes de Camélias centenárias, e influenciados pelo movimento Arts and Crafts. No segundo patamar, existe um jardim de plantas xerófitas com diversos catos e plantas suculentas e onde podemos encontrar a estufa de catos, a estufa tropical e a estufa de orquídeas. Finalmente, no patamar mais baixo, localiza-se o arboreto, no qual se encontram as coleções de coníferas, plantas nativas, o fetário e o maior lago do Jardim.

Assumindo-se como um espaço de fruição pública e de contacto com a natureza em pleno centro da cidade, o Jardim Botânico do Porto oferece aos  visitantes uma grande diversidade de intensas experiências sensoriais, de cariz científico e artístico. Devidamente infraestruturado a pensar no bem-estar dos visitantes, oferece um programa educativo e cultural, que, sendo transversal a todo o MHNC-UP, se encontra totalmente alinhado com as caraterísticas do espaço.o.