ISPUP lidera o maior inquérito a Homens que têm Sexo com Homens

ISPUP

O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto coordenou em Portugal a aplicação do “European Men who have Sex with Men Internet Survey”.

O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) coordenou em Portugal a aplicação do European Men who have Sex with Men Internet Survey, o maior inquérito mundial alguma vez dirigido a Homens que têm Sexo com Homens (HSH) e que contou com a participação de cerca de 180 mil indivíduos de 38 países da região europeia da Organização Mundial de Saúde.

Contando com o apoio do Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos VIH/SIDA, o ISPUP conseguiu recolher informação de mais de 5.000 HSH residentes em Portugal, permitindo obter um quadro atualizado sobre a infeção pelo VIH, ISTs, comportamentos sexuais e uso dos serviços específicos relacionados com a infeção pelo VIH neste segmento da população.

Entre os resultados nacionais do inquérito, destaca-se que a prevalência auto-reportada de infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) entre aqueles que alguma vez fizeram o teste foi de 10,9%, sendo que aproximadamente metade destes tinham sido diagnosticados há cinco anos ou menos.

Cerca de 1 em cada 5 dos participantes desconhecia o seu estatuto serológico para a infeção pelo VIH, o que aponta para uma necessidade de aumentar a realização do teste na população HSH.

Dos 1421 participantes que nunca realizaram o teste para o VIH, 81% afirmaram ter a certeza ou certeza absoluta do acesso ao teste, o que sugere que a acessibilidade não constitui uma barreira importante ao teste. Para os autores do relatório, é fundamental compreender quais os motivos que contribuem para a não realização do teste, por forma a reduzir de forma significativa o número de HSH que nunca foram testados para a infeção pelo VIH.

O estudo revela também que cerca de 4 em cada 10 participantes afirmaram estar numa relação estável com um homem no momento do questionário e mais de metade do total da amostra referiu ter tido sexo com parceiros ocasionais no último ano. Além disso, em relações ocasionais, e pelo menos uma vez no último ano, 37,2% não usou preservativo. Globalmente, entre os inquiridos que reportaram uso de preservativos nos últimos 12 meses, 85,6% admite não o ter utilizado de forma correta.

Os resultados revelam que a adesão ao uso consistente do preservativo fica aquém do que seria desejável, mesmo em situações de particular risco de transmissão de Infeções Sexualmente Transmitidas (ISTs). Mesmo no contexto de relação estável, 16% referiram penetração anal não protegida nos últimos doze meses com parceiro cujo estado serológico era discordante ou desconhecido.

Estes dados em conjunto revelam a existência de comportamentos que aumentam o risco de transmissão de ISTs e caracterizam os contextos em que esses comportamentos ocorrem, permitindo uma melhor definição das estratégias de prevenção que poderão ter um maior impacto.

Para Henrique Barros, Presidente do ISPUP e autor do estudo, “estes resultados revelam dois aspetos particularmente importantes: primeiro a necessidade de repensar os modelos tradicionais de intervenções preventivas – o que temos até agora deixou de servir; o segundo aspeto é o de rapidamente reproduzir em cidades de maior dimensão estruturas de deteção da infeção e de intervenção comunitária como é o pioneiro CheckpointLX, em Lisboa.”

Os resultados nacionais do European Men who have Sex with Men Internet Survey serão apresentados na totalidade numa sessão pública que se realiza às 17h30 do dia 19 de junho, no auditório do ISPUP (Rua das Taipas, 135).