ISPUP celebra o Dia Mundial da Saúde com debate público

A sessão vai decorrer no auditório do ISPUP e é aberta a toda a comunidade.

No próximo dia 7 de abril comemora-se, em todo o mundo, o Dia Mundial da Saúde. Para assinalar a data, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) vai realizar uma sessão de debate, encabeçada por especialistas de diferentes áreas da saúde, centrada no tema que a Organização Mundial de Saúde (OMS) escolheu para este ano – Doenças transmitidas por vetores – sob o alerta – Pequena picada, grande ameaça.

A sessão decorre das 14h00 às 17h30, no auditório do ISPUP (Rua das Taipas 135, Porto), e é repartida em dois tópicos centrais: o primeiro, intitulado As Pessoas, foca-se na forma como as populações encontram os agentes e os vetores no quotidiano das suas vidas, movendo-se entre locais ou entre eco-sistemas. Já o segundo – Os vetores e os agentes – direciona-se para as particularidades destes pequenos organismos que podem causar graves doenças, nomeadamente através das incómodas picadas (consulte o programa aqui).

O Dia Mundial da Saúde é celebrado a 7 de abril desde 1950, uma data que foi escolhida pela OMS em 1948, aquando da organização da primeira assembleia da OMS. A partir daí, todos os anos a organização escolhe um tema central que representa uma prioridade na agenda internacional da OMS e que deve ser debatido durante as comemorações da efeméride.

A sessão de comemoração é aberta a toda a comunidade, pelo que todos os interessados podem assistir.

As Doenças transmitidas por vetores

As Doenças transmitidas por vetores são doenças causadas por agentes patogénicos e parasitas em populações humanas. Anualmente, por todo o mundo, verificam-se mais de mil milhões de casos e mais de 1 milhão de mortes relacionadas com este tipo de doenças, como a malária, dengue, shistosomose, tripanossomíase, leishmaniose, doença de Chagas, febre-amarela, encefalite japonesa e oncocercose ou chikungunia.

Embora possam ser prevenidas recorrendo a medidas simples como usar redes mosquiteiras, repelentes, ou recorrer à vacinação, as Doenças transmitidas por vetores são responsáveis por mais de 17% de todas as doenças infeciosas, sendo que mais de metade da população mundial corre o risco de as contrair.

Na Região Europeia da OMS têm vindo a surgir novas doenças deste tipo e algumas das que foram consideradas como eliminadas estão a voltar. O movimento das populações, as mudanças ecológicas, climáticas e ambientais, a deterioração da situação política e socioeconómica, e a interrupção de ações para prevenir e controlar a transmissão são fundamentais para este renovado problema de saúde pública.

Importa esclarecer que os vetores são pequenos organismos, como mosquitos, carraças e caracóis de água doce, capazes de transmitir doenças infeciosas entre seres humanos ou de animais para seres humanos vivos, bem como de as transportar de um lugar para outro, colocando a saúde das populações em risco.

A campanha de 2014 para o Dia Mundial da Saúde destaca as ações que todos nós podemos tomar para nos protegermos das doenças graves que estes ‘vetores’ podem causar, quer quando estamos em casa, quer quando viajamos – com especial ênfase para os viajantes e os migrantes.

A sessão que vai ser realizada no ISPUP no próximo dia 7 de abril vai contribuir para a consciencialização da importância das Doenças transmitidas por vetores junto da sociedade civil, esclarecendo os tópicos centrais que definem os contornos destas doenças e discutindo o contributo dos nossos cientistas nesta área da saúde global.

  • luis delgado

    Excelente inciativa!
    Gostaria também de lembrar neste Dia Mundial da Saude, que as picadas de insectos, para além de doenças crónicas graves referidas (transmitindo infeções como vetores), podem originar doenças agudas fatais, também pouco reconhecidas.
    A alergia a picadas de insectos himenópteros (abelhas e vespas) é a terceira causa de anafilaxia, uma reação alérgica grave e potencialmente fatal que continua pouco reconhecida e subtratada. O tratamento imediato é pela ministração intra-muscular de adrenalina, p.ex. de um auto-injetor, que salva o doente de uma reação fatal e que, quem já experimentou uma reação alérgica grave anterior, deve sempre transportar. Além disso, se reconhecida e apropriadamente diagnosticada por um especialista, a alergia a veneno de vespa e abelha pode ser curada com vacinas específicas de alergia (imunoterapia subcutânea).
    Luis Delgado, Professor associado, FMUP
    Presidente da SPAIC, Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica