Ipatimup homenageia pioneiro da cooperação entre a U.Porto e o Brasil

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A comunidade científica brasileira é quela com quem o Ipatimup mais tem colaborado ao longo dos seus 26 anos.

Quase em simultâneo com a fundação do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) nascia também em 1989/1990, durante o “consulado” do reitor Alberto Amaral, a colaboração do Instituto com o Brasil. Uma colaboração que ganhou consistência nos primeiros anos da década de 90 pela mão de Valdeci Ferreira, que fez no Porto o seu pós-doutoramento e levou, em conjunto com os professores Adónis de Carvalho (Recife) e Marcello Franco (S. Paulo), o nome do Ipatimup e da Universidade até ao outro lado do Atlântico. É este médico patologista que o Ipatimup vai homenagear no dia 24 de abril, pelas 15h00, no seu auditório.

“Com este gesto pretendemos honrar o passado e, sobretudo, mostrar que a relação Ipatimup/Brasil não só está fortíssima, como está a lançar-se numa nova dinâmica com uma maior presença de cientistas portugueses no Brasil e uma maior atenção à investigação aplicada em oncologia e genética forense”, destaca o instituto.

Valdeci Ferreira impulsionou a primeira colaboração consistente entre a Universidade do Porto e uma universidade brasileira – neste caso a Universidade Federal do Ceará – e a primeira colaboração do Ipatimup com um Instituto de Cancro Brasileiro (ICCeará). A comunidade científica brasileira é, aliás, aquela com quem o Ipatimup mais tem colaborado ao longo dos seus 26 anos. Só nos últimos quatro anos (entre 2011 e 2014) o instituto publicou, em colaboração com instituições brasileiras, 61 artigos em revistas internacionais indexadas (mínimo de 14 artigos e máximo de 17 artigos por ano). Isto é, 5 a 10 por cento das publicações científicas do Ipatimup são feitas, atualmente, em colaboração com instituições científicas brasileiras.

Valdeci Ferreira

Valdeci Ferreira impulsionou a primeira colaboração entre o Ipatimup com um Instituto de Cancro Brasileiro: o ICCeará.

«É muito frequente termos entre nós patologistas brasileiros em treino, tal como é frequente fazermos treino avançado no Brasil», sublinha Sobrinho Simões, diretor do Ipatimup. Além disso, acrescenta, «recebemos também muitos investigadores em cancro e genética populacional e temos alguns investigadores séniores que são “professores  convidados” ou “pesquisadores visitantes especiais” em universidades brasileiras (S. Paulo, Campinas e Rio de Janeiro)». Sobrinho Simões é  membro do Advisory Board do Hospital de Cancer de Barretos e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro tornou-se recentemente associada efectiva do Ipatimup.

A colaboração entre o Brasil e o Ipatimup, no entanto, não deverá ficar aqui. O objectivo do Ipatimup é aumentar a colaboração com o Brasil nas áreas da investigação da genética populacional e forense e da medicina molecular e avançar para uma nova etapa de trabalho conjunto no domínio da investigação de translação em cancro.

A homenagem a Valdeci Ferreira vai contar com a presença de Jorge Bento, director da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da U.Porto (FADEUP) e um dos maiores responsáveis pela «brasileirização» da Universidade, e de Fernando Schmitt, protagonista dessa colaboração, enquanto investigador do Ipatimup,  atualmente a dirigir o Departamento de Medicina do Laboratório Nacional de Saúde do Luxemburgo.

Sobre Valdeci Ferreira

Francisco Valdeci de Almeida Ferreira nasceu em Mauriti, Ceará, Brasil, é licenciado em Medicina pela UFC – Universidade Federal do Ceará (1964), doutor em Patologia pela Universidade de São Paulo (1986) e realizou estágio de pós-doutorado na Universidade do Porto, em 1994. Executor dos protocolos entre a UFC e o ICC com a Universidade do Porto, tem sido o grande responsável pelas relações de cooperação existentes entre as duas instituições. Devido à sua ação, vários académicos do Ceará, da sua e de outras áreas, realizaram e realizam na U.Porto estudos de especialização, de mestrado e doutoramento.