Investigadores, oncologistas e indústria debatem tratamentos do cancro personalizados

A imuno-oncologia baseia-se na ativação do sistema imunitário do doente para combater as células cancerígenas. Este será o tema central da 25.ª edição do Porto Cancer Meeting.

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto – i3S/Ipatimup vai realizar a 26 e 27 de abril de 2018 o XXV Porto Cancer Meeting (PCM) subordinado ao tema «Cancer Wars: The Immune Force Awakens». O principal objetivo desta edição do PCM é reunir investigadores e oncologistas de renome internacional e a indústria farmacêutica com o intuito de promover a discussão sobre o impacto da área com maior crescimento e proeminência no tratamento do cancro: a Imuno-Oncologia.

“É com grande expectativa que a comunidade médica e científica trabalha no sentido de continuar a inovar nesta área, procurando oferecer aos doentes tratamentos mais personalizados, diminuindo os efeitos tóxicos e aumentando a sua eficácia“, explica o oncologista Júlio Oliveira, da organização do XXV PCM.

A Imuno-Oncologia é uma área que tem conhecido avanços importantes e que tem vindo a demonstrar um impacto relevante no controlo da doença oncológica. Na base da Imuno-Oncologia, explica o investigador Jorge Lima, está a “utilização de estratégias terapêuticas que ativam o sistema imunitário do doente, que atua como mecanismo de combate às células neoplásicas“.

Apesar dos recentes avanços científicos, que levaram a uma melhor compreensão dos mecanismos que regulam a interação entre o sistema imunitário e o cancro, ressalta André Albergaria, que integra a organização do PCM, “existem ainda obstáculos importantes no campo da Imuno-Oncologia, nomeadamente a necessidade de desenvolver medicamentos que sejam consistentemente eficazes na maioria dos doentes e nos diferentes tipos de cancro“.

É igualmente fundamental, acrescenta o investigador José Carlos Machado, “prever de forma mais precisa a resposta ao tratamento, encontrando biomarcadores e integrando-os na prática clínica, superar os mecanismos de resistência à imunoterapia e desenvolver medicamentos inovadores, assim como estudos clínicos que permitam otimizar estratégias terapêuticas, por exemplo, mediante a combinação de imunomodeladores com terapias celulares ou com tratamentos anti-neoplásicos já conhecidos”.

O primeiro Porto Cancer Meeting realizou-se em 1992 e agora que se assinala a sua 25.ª edição, sublinha Manuel Sobrinho Simões, “é inevitável sentirmos-nos orgulhosos por termos conseguido que se tenha mantido sempre vivo e de boa saúde ao longo de tantos anos. Durante este período testemunhámos a aplicação à Oncologia de uma série de “novidades”, desde a Medicina baseada na evidência até, mais recentemente, a medicina de precisão a partir da capacidade de articular a genómica com os big data“.

Os diferentes desenvolvimentos da Imuno-Oncologia que serão debatidos nesta edição do PCM, continua o presidente do Ipatimup e vice-diretor do i3S, “permitem personalizar, isto é, aplicar a cada doente a versão terapêutica mais adequada à sua situação concreta. De forma simplificada, pode dizer-se que a Imuno-Oncologia veio personalizar a chamada medicina de precisão“.