Investigadores internacionais debatem desigualdades sociais em saúde

Mais de 50 investigadores das áreas das ciências sociais e biológicas irão discutir os resultados do Lifepath sobre desigualdades sociais em saúde.

O projeto de investigação europeu Lifepath, no qual o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) é um dos 15 parceiros internacionais,  iniciará o quarto ano das suas atividades com uma reunião internacional no Porto, nos dias 17 e 18 de maio. Mais de 50 investigadores das áreas de ciências sociais e biológicas e outros parceiros do projeto irão discutir os resultados do Lifepath sobre desigualdades sociais em saúde. Serão discutidos os resultados alcançados no âmbito do projeto e também serão delineadas as atividades a desenvolver no próximo e último ano do Lifepath. A reunião anual irá decorrer na Reitoria da U.Porto.

O Lifepath é um projeto financiado pela União Europeia que pretende gerar informação atualizada, relevante e inovadora sobre a relação entre as desigualdades sociais e o envelhecimento saudável, com o propósito de fundamentar a definição de futuras políticas e estratégias de saúde. Com um desenho inovador, o projeto integra as abordagens das ciências sociais, da biologia e o big data, usando coortes populacionais e as tecnologias ómicas.

Entre os tópicos que vão ser abordados na Reunião Anual deste ano destacam-se a Saúde, as desigualdades sociais e a crise financeira em Portugal, o impacto da recessão e das políticas de educação na saúde e os primeiros dois mil dias de vida e o desenvolvimento infantil (Randomized Experiment of Home Visiting doctors).

“É um prazer realizar a quarta reunião anual do Lifepath no Porto”, afirma Paolo Vineis, professor do Imperial College London e coordenador do projeto. “O principal objetivo do nosso consórcio é compreender os mecanismos biológicos através dos quais as desigualdades sociais conduzem às desigualdades em saúde, com o intuito de fornecer evidência para Instituições de saúde pública e decisores políticos. O ISPUP é um parceiro relevante no projeto. O Instituto está a fazer um trabalho incrível no consórcio, dando a conhecer ao resto dos parceiros a eficiência e o pensamento crítico dos seus investigadores em Portugal”.

Investigação com impacto em todo o mundo

Em 2017, os investigadores do Lifepath demonstraram que condições socioeconómicas desfavoráveis contribuem para que os indivíduos percam em média cerca de 2 anos da vida. O estudo revela ainda que, para além das condições socioeconómicas, outros fatores têm uma influência mensurável na redução da esperança de vida da população. O tabaco está associado a uma redução de 4,8 anos de vida; a diabetes a 3,9; e a atividade física a 2,4.

O mesmo grupo de investigadores mostrou que os homens que têm 60 anos e um baixo estatuto socioeconómico perdem quase 7 anos de vida com boa funcionalidade física.

Em março de 2018, outro grupo de investigadores do Lifepath publicou um estudo sobre o impacto na saúde do Programa Opportunity NYC?Family Rewards, que consiste na melhoria da saúde da população através de recompensas monetárias dadas às famílias que participem em determinadas atividades, como a frequência escolar, o uso de serviços de saúde preventivos e a integração no mercado de trabalho.