Investigadores do ISPUP estudam causas de hipertensão em Angola

Estudo decorre na província angolana de Bengo, e vai analisar cerca de 5000 pessoas até março de 2014

A hipertensão, os fatores de risco cardiovasculares e a sua incidência e prevalência em Angola estão a ser estudados por uma equipa coordenada por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), em colaboração com profissionais de saúde angolanos.

O “Estudo dos fatores de risco cardiovasculares numa população adulta da Província do Bengo, Angola – Prevalência e Incidência da Hipertensão Arterial“, resulta de uma colaboração entre o Projeto CISA – Centro de Investigação em Saúde em Angola e o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), e tem como principal objetivo alargar os conhecimentos existentes sobre os fatores de risco para as doenças cardiovasculares na população adulta de Angola.

Os mecanismos que levam ao aumento da tensão arterial incluem vários fatores de risco. Devido à enorme complexidade deste processo, a relação entre eles e o modo como levam ao aparecimento de hipertensão não está completamente esclarecido. Até março de 2014, este estudo vai seguir 5000 indivíduos, com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, e residentes em três comunas do município de Dande (na província de Bengo, adjacente à província de Luanda): Caxito, Mabubas e Úcua.

Através de uma série de testes de diagnóstico, da realização de medições à tensão arterial e de eletrocardiogramas, e também da aplicação de questionários de hábitos de vida e consumos, os investigadores esperam contribuir para o conhecimento epidemiológico destas doenças no contexto específico angolano. Este conhecimento será crucial para o delineamento futuro de políticas e estratégias de intervenção em saúde pública.

O Projeto CISA – Centro de Investigação em Saúde em Angola, foi iniciado em 2006 e pretende contribuir para um melhor conhecimento das doenças e problemas de saúde que afetam os países em vias de desenvolvimento, tais como as doenças mais visíveis como malária, tuberculose e VIH/SIDA, quer as conhecidas por “doenças negligenciadas” (schistossomíase, tripanossomíase, febres hemorrágicas virais, filaríases, helmintíases).

O estudo é realizado com o apoio do Ministério da Saúde de Angola, do Governo Provincial do Bengo, Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Fundação Eduardo dos Santos (FESA) e Fundação Calouste Gulbenkian.

Veja aqui o testemunho de Henrique Barros, diretor do ISPUP e um dos coordenadores deste estudo: