Investigadores da FPCEUP levam arte às prisões

projeto ECOAR | PELE

Iniciativa procurou promover a inclusão social e profissional dos reclusos. (Fotos: PELE)

Como é que a participação em atividades artísticas pode ajudar a promover a cidadania de jovens reclusos? Ao longo de um ano e meio, esta pergunta foi testada em vários estabelecimentos prisionais portugueses por investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, em parceria com uma equipa da PELE – Espaço de Contacto Social e Cultural e com a Direção Geral da Reinserção e Serviços Prisionais. Os resultados vão ser conhecidos a 10 de março, durante a Conferência Final do projeto “ECOAR_Empregabilidade, Competências e Arte”.

Desenvolvido no âmbito do Programa Cidadania Ativa da Fundação Calouste Gulbenkian, o ECOAR foi implementado entre novembro de 2014 e março de 2016 em quatro estabelecimentos prisionais,envolveu mais de 160 jovens a cumprir medidas judiciais, entre os 18 e 30 anos, com baixos níveis de escolaridade e sem enquadramento em planos de formação / emprego. O objetivo passou por validar e certificar as competências pessoais e sociais dos reclusos através da participação em projetos artísticos, fortalecendo desta forma os processos de inclusão.

Para desenvolver o projeto, a equipa baseou-se na experiência do Projeto PEETA (Personal Effectiveness and Employability through the Arts) desenvolvido em 2012, no Estabelecimento Prisional Especial de Santa Cruz do Bispo, e assente numa metodologia de avaliação e certificação de Soft Skills vocacionadas para a empregabilidade através das ferramentas artísticas. Entre as competências trabalhadas com os reclusos incluíram-se a comunicação eficaz, as relações interpessoais, a gestão de tarefas e a aprendizagem e reflexão.

A apresentação dos resultados do ECOAR vai decorrer a 10 de março, na FPCEUP, numa sessão que contará com a presença de Joana Marques Vidal, Procuradora Geral da República, e que dará o mote para um conjunto de ações que, durante o mês de março, vão mostrar ao público o processo e os resultados do projeto em vários espaços da cidade do Porto. Entre os eventos previstos no Ciclo “Arte e Cidadania – Diálogos em Contexto Prisional”  inclui-se uma exposição de fotografia (patente até 2 de abril no MIRA FÒRUM), a apresentação de documentários e o lançamento de uma publicação sobre o projeto, (31 de março), com a participação do escritor Valter Hugo Mãe.